Quarta-Feira, 28 de Outubro de 2020

Funcionário da FUNAI age como polícia na Suiá Missú e se fotografa com arma calibre 12




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A “festa” de desintrusão feita por ordem judicial e cumprida pela FUNAI foi encerrada há um ano. Em todo o tempo que durou a desintrusão, os ex-moradores denunciaram o abuso da força e do poder, porém sem serem ouvidos. A FUNAI somente emitia notas afirmando que a desocupação acontecia de forma pacifica e ordeira, mesmo no meio de tudo isso havendo, balas de borracha, spray de pimenta, gás lacrimogênio e tantas outras armas a fim de impedir que os moradores permanecessem em suas áreas.

No final do ano, a Polícia e a Força Nacional que faziam a guarda da área de 165 mil hectares deixaram a área, permanecendo somente a FUNAI como vigia da área de Suiá Missú. No inicio do ano alguns ex-produtores inconformados com a miséria a qual foram postos, resolveram voltar para suas terras, e foi com uma dessas famílias que funcionários da FUNAI entraram em atrito e acabaram perdendo pelo menos nessa batalha. A família teria entrado na área e como “troféu”, pegou uma maquina fotográfica utilizada pelo funcionário da FUNAI.

Para a surpresa e revolta dos ex-moradores, o cartão de memória tinha imagens da destruição sendo feita pelos funcionários da FUNAI, que destruíram currais, quebraram cerca, tudo financiado pela instituição que é responsável pelos índios que hoje vivem em uma miséria.

Ainda neste cartão de memória, fotos de funcionário da FUNAI com uma arma calibre 12 chamaram a atenção, já que a FUNAI não tem autorização para usar arma que seria de uso especifico das forças policiais.  A foto foi tirada em frente a represa da Fazenda Jordão, onde aconteceu o conflito entre produtores e polícia no dia 10 de dezembro de 2012. A foto foi tirada pelo próprio pessoal da FUNAI.

Neste novo movimento do ex-moradores da Suiá Missú, um novo confronto já aconteceu, para expulsar a FUNAI, ex-produtores atearam fogo na casa que estava servindo de abrigo para FUNAI, próximo ao antigo Posto da Mata.

“Não vamos mais permitir tanta humilhação, o Governo tem que ver o que está acontecendo. É inadmissível, não podemos aceitar, ver as fotos que vimos, é um certo desdém com o nosso sofrimento. É um crime hediondo, nos mataram e ainda dão risada dos destroços e ninguém faz nada? Vamos fazer o que for preciso e desta vez não vamos esmorecer, se tiver que matar ou morrer vamos fazer isso”, ameaçou um ex-morador da região da Suiá Missú que está de volta à  área, mas que preferiu manter a identidade resguardada temendo represálias.

Mais de 800 pessoas estão de volta ao Posto da Mata que se torna mais uma vez um barril de pólvora pronto para explodir a qualquer momento.O Ministério Público pediu a ação da Polícia, porem os ex-moradores dizem que não temem a Polícia e que não vão deixar a área.Eles exigem uma solução do Governo, ou as terras de volta ou a indenização pela área.


Autor: CamilaNalevaiko - AgenciadaNoticia


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