O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) de Mato Grosso, Juares Silveira Samaniego, afirmou que a equipe de técnicos da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) funciona de forma precária. Em visita ao RDNews, ele explicou que existem apenas cinco ou seis profissionais para fazer a fiscalização das obras quando, considerando o número de empreendimentos, seria necessário uma equipe muito maior. "Teríamos que ter pelo menos dois para a fiscalização de cada obra, ao todo precisaríamos de uns 20 profissionais só para fazer a fiscalização", avaliou.
Ele conta que por carência de profissionais para fazer esse acompanhamento é que a Secopa não consegue produzir um relatório técnico do andamento das obras. Por isso, a pasta não dá conta de fornecer as informações necessárias à Comissão da Construção Civil e às outras entidades que solicitam informações a respeito e também acompanham a execução dos projetos.
Membro da Comissão da Construção Civil da Secopa, o presidente reclama que já fez diversos questionamentos técnicos ao ex-secretário Éder Moraes que não foram esclarecidos. Juares conta que todos os projetos licitados deveriam ter passado por avaliação dessa comissão, mas isso não acontece. "Em alguns pontos ainda aguardamos o projeto e o cronograma das obras como os das trincheiras da Avenida Miguel Sutil, que já até receberam a ordem de serviço", pontuou.
Ele também já solicitou e não recebeu o cronograma da Arena Pantanal, a relação das obras que estão para serem licitadas e a data de quando serão entregues, além das informações de quais obras projetadas já tem recursos alocados. Juares considera que os empreendimentos estão muito lentos, com exceção da Arena.
Apesar das críticas quanto à transparência dos trabalhos, Juares prevê que ainda há tempo para que todas as obras sejam executadas até o Mundial. Isso se houver recursos e vontade política. Ele crê que a saída de Éder não será prejudicial para a Copa. "O corpo técnico vai ficar. O secretário é só uma peça", pontuou.
Quem também não poupou críticas à condução das obras da Copa esta semana foi o ex-presidente da extinta Agecopa, Adilton Sachetti. Em entrevista exclusiva ao RDNews, ele creditou grande parte dos problemas às interferências políticas na gestão dos trabalhos.