O protesto dos caminhoneiros contra a alta no preço do diesel entrou, no oitavo dia consecutivo. Em Mato Grosso, caminhões e carretas continuavam parados em 30 pontos localizados nas rodovias federais apesar do governo federal ter cedido às reivindicações dos manifestantes.
Apesar do consenso entre entidades em Brasília de que o governo cedeu o suficiente à categoria dos caminhoneiros, os movimentos espontâneos nas estradas persistiam nesta segunda-feira. No domingo, três medidas provisórias (MPs) para atender os pedidos da categoria foram publicadas numa edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Com isso, a expectativa é de normalização nas rodovias o quanto antes em todo o território nacional.
No Estado, as manifestações continuavam nas BRs 070, 174, 158, 364 e BR-163, além das MTs 358 e 480. Não havia bloqueio total das pistas, com passagem de carros de passeio, viaturas e ambulâncias, mas as carretas com cargas permaneciam estacionadas nos acostamentos das estradas. A justificativa de representantes dos caminhoneiros para a não desmobilização desde as primeiras horas de ontem foi a de que não houve tempo suficiente para comunicar o acordo com o governo.
Segundo Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, há 557 pontos de bloqueio parcial nas estradas, número maior do que os 554 divulgados no sábado à noite.
“O acordo é que valeria a partir da publicação no Diário Oficial, o que já aconteceu. Então, de nossa parte nós damos por encerrado, mas a questão de manifestação nos pontos fica a critério dos líderes locais, que controlam a manifestação. Quem quiser trabalhar está liberado de nossa parte. Mas, nós respeitamos a decisão do setor do transporte”, disse Gilson Baitaca, representante do movimento de Transportadores de Grãos em Mato Grosso.
Enquanto isso, no fim da semana e ontem, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Exército fizeram a escolta de caminhões-tanques para abastecer postos de combustíveis e o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande.
“Em Cuiabá e Várzea Grande um ou outro posto pode vir a conseguir um abastecimento pequeno, de forma isolada, no caso de caminhão-tanque conseguir furar os bloqueios ou por meio de escolta, sendo que tal abastecimento é limitado devido à grande demanda”, informou o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipetróleo).
Em um posto localizado na Avenida Miguel Sutil, no Bairro Consil, em Cuiabá, que recebeu o produto na madrugada de ontem, houve fila longa e demorada de veículos sem sequer ter a garantia de abastecimento do etanol a preço de R$ 2,63 e a gasolina por R$ 4,59, por exemplo. O mesmo ocorreu no posto que fica na Fernando Correa com a Tancredo Neves, no Coxipó e, em outro que fica na Avenida Marechal Deodoro, também na capital. O trânsito nessas regiões ficou lento.
“Há a expectativa do fim da paralisação, entretanto, o sindicato não tem previsão de exatamente quando isso vai ocorrer. Não há, portanto, condições de quantificar a porcentagem de postos que poderiam estar em atividade. O que se sabe é que 100% foram impactados”, reforçou o sindicato.
Por conta dos transtornos, o governador do Estado Pedro Taques se reuniu com o Comitê Gestor de Crise. No encontro, gerente regional da BR Distribuidora, José Mol, explicou que o combustível chega a Mato Grosso pela ferrovia até Rondonópolis (210 quilômetros, ao sul da capital), de onde é distribuído para os demais municípios em caminhões, o que dificulta o abastecimento dos postos, mas que ainda havia estoque na capital.
“A gente tem produto em Cuiabá. Hoje (anteontem), a quantidade que temos na base seria suficiente para atender a população durante um tempo, mas é um estoque para uns dois dias. De Rondonópolis para cá levam horas e, com o devido, comboiou ou sistema de proteção a gente consegue suprir e evitar a falta de combustível na cidade. O único problema tem sido mais da base para os clientes, mas estamos justamente nesse comitê de crise para montar escoltas pela PRF”, disse.
Também presente na reunião, o presidente da Associação dos Atacadistas e Distribuidores de Mato Grosso (Amad), João Carlos, disse que há estoque de alimentos não perecíveis por até mais 15 dias. Já o estoque de produtos perecíveis, como laticínios e hortifrutigranjeito, acabou, uma vez que estes vêm em grande parte de outras localidades do país.
Outra preocupação do Estado, é quanto aos frigoríficos, Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do Brasil e um dos maiores na produção de frangos. Segundo Taques, o Estado busca manter os carregamentos de rações e está em campanha de vacinação até o final de maio, questão extremamente importante para manter o Estado livre de febre aftosa. Junto com outras entidades ligadas ao setor, o Indea irá distribuir adesivos para os caminhões que transportam comida para animais.
Para tentar pôr fim à paralisação, o presidente Michel Temer reduziu em R$ 0,46 o valor do diesel, com corte em tributos como a Cide e o PIS/Cofins. A primeira MP determina que 30% dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sejam feitos por caminhoneiros autônomos, que serão contratados por meio de cooperativas, entidades sindicais ou associação.
A segunda MP institui a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargo. Segundo o texto publicado no DOU, o governo publicará duas vezes por ano uma nova tabela de preço mínimo de frete por quilômetro de acordo com o tipo de mercadoria transportado (carga geral, a granel, frigorificada, perigosa e neogranel.
A primeira tabela será publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em até cinco dias e valerá até o dia 20 de janeiro de 2019. A terceira MP prevê isenção de cobrança de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios, em rodovias federais, estaduais e municipais, inclusive as que foram concedidas à iniciativa privada.