O recurso dos cofres municipais que serão destinado a Festa de Santo Antônio em Barra do Garças foi tema de discussão, na última segunda-feira (5), na Câmara Municipal. O valor de R$ 25 mil foi apontado pelos vereadores João Rodrigues de Souza, o Joãozinho (PDT), e Francisco Candido da Silva, o Garrincha dos Animais (PV), como gasto que poderia ser evitado pela administração. Segundo eles, o montante seria dispensável, uma vez que o arrecadado pelo evento é suficiente para cobrir as próprias despesas. A prefeitura alega que além da promoção de cultura e lazer, a festa impulsiona a economia do município.
Com a doação, a prefeitura vai cobrir parte da despesa estimada pela organização da Festa de Santo Antônio. Segundo a mensagem de solicitação do recurso, enviada pela Paróquia Matriz Santo Antonio, a igreja vai assumir aproximadamente o gasto de R$ 120 mil, enquanto o poder público paga 20% desse valor.
A 67ª Festa de Santo Antonio, de 1 a 13 de junho, traz como atração a programação comumente apresentada. São 13 dias de evento com atividades voltadas para o público religioso e geral. No período da festa, a Praça da Matriz é ocupada com espaço de alimentação, parque de diversões, leilões de prendas, palco para shows regionais entre outras atrações. A paróquia também realiza a trezena de Santo Antônio, rito católico em honra ao padroeiro de Barra do Garças.
“Se pelo menos fosse uma festa deficitária. Mas é uma festa superavitária”, afirmou o vereador Joãozinho, na oportunidade da votação do projeto. Segundo ele, a festa arrecada suficiente para pagar seus próprios gastos. O parlamentar ainda citou outros eventos, os quais o poder público poderia se eximir de cobrir despesas, como o Motorcycle.
“Acho que o dinheiro público tem outra finalidade. Aí nós teríamos que dar o mesmo valor para as igrejas evangélicas e para as instituições espíritas, por exemplo”, opinou Joãozinho. Ele afirmou que vem repetindo o voto contrário a esse projeto de ano em ano.
Para o vereador Garrincha, já que se investe dinheiro público na Festa de Santo Antônio, a Câmara deveria pedir um balanço de como tem sido gasto o arrecadado. “Tem o dízimo, tem a cestinha, se vai batizar é pago. É muito dinheiro que entra e eu não vejo eles [igreja] gastando com o município”, destacou Garrincha.
Já o vereador Paulo Raye (MDB), classificou como um absurdo o questionamento dos colegas e pediu votação nominal para que ficassem registrados os “nãos”. “A festa de Santo Antônio é uma das maiores festa de Barra do Garças. É tradição. Eu acho que essa votação não deveria nem existir. Deveria partir de todas os vereadores a aceitação do evento.” A Câmara concedeu a solicitação do vereador e registrou os votos contrários de Garrincha, Joãozinho e de Alex Matos (PRB).
À reportagem, a Paróquia Santo Antônio relatou que o total arrecadado em 2017 foi de R$ 236.605,70. Com as despesas, no valor de R$ 62.022,27, a receita líquida compreendeu os R$ 174.583,43. Segundo o pároco, padre Alfredo Haidler, 10% desse total é destinado a Diocese de Barra do Garças e o resto, R$ 157.125,09, fica com a paróquia.
De acordo com o padre Alfredo, o dinheiro é investido em “obras da igreja”, tanto estruturais quanto sociais. Entre os movimentos com influência na comunidade geral, o sacerdote destaca os Vicentinos, o Encontro de Casais com Cristo, o Segue-me, a Catequese, a Pastoral Familiar e apoio a idosos, doentes e pedintes. “Usamos os recursos para fortalecer esses movimentos que acontecem em prol da juventude e dos adultos”, explica.
Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, a doação dos R$ 25 mil é justificada por o evento ser tradicional do município e agregar serviços à população. Em nota, a administração destaca o retorno da festa em cultura, lazer e economia. “Vários comércios são instalados, fomentando a economia local com geração de renda para quem monta seu espaço, seja um ponto comercial ou vendedores autônomos”, afirma.
No relatório de prestação de contas enviado pela paróquia, consta geração de mão de obra em uma diversidade de áreas, ao longo de um mês de preparação e realização da festa. São em média, mais de 70 empregados temporariamente, entre contratados para montagem e desmontagem da estrutura, garçons, guardas e prestadores de serviços nas bancas.
“[A festa] gera vagas de emprego de forma temporária, movimentando ainda setores como de montagem, som, tendas, distribuidoras, artistas locais que se apresentam diariamente, entre outros”, conclui a nota da prefeitura.
Para a paróquia, além dos mercados que são movimentados com a compra de alimentos para a festa, a rede hoteleira do município também recebe incentivo. O evento ocorre em época festiva de Barra do Garças e coincide com o início da temporada de praia. Logo agrega elemento à programação cultural para os turistas.
Outros recursos - Mas a Festa de Santo Antonio não é o único evento de cunho religioso que recebe dinheiro público. No ano passado, a chamada Semana Santa no Araguaia recebeu pelo menos R$ 35 mil em recursos repassados pela Secretaria Municipal de Turismo, segundo consta no Portal da Transparência.
O valor é classificado no banco de dados como despesas com “eventos sociais populares e temporadas”. Segundo o portal, esse dinheiro foi gasto com a contratação de empresa para prestação de serviços gráfico, para a produção de panfletos, livretos, outdoores, bannes, faixas e porta velas de papel. Parte do recurso é especificada apenas como a realização do espetáculo “Procissão dos Barquinhos”.