O médico Orlando Alves Teixeira foi condenado, na madrugada de quarta-feira (27), por prática de aborto. Ele havia sido levado ao Tribunal do Juri, por fazer o procedimento em pacientes que o procuravam e recebeu quatro votos a três, pela condenação. A pena é de 20 anos de reclusão.
Por ter cometido crimes da mesma natureza e em datas diferentes, sua pena foi acrescida. O juiz condenou e ainda negou o pedido da defesa de apelação em liberdade. Com isso, Orlando foi encaminhado ainda de madrugada para cadeia pública de Barra do Garças. Sua defesa informou aos policiais que irá recorrer da decisão junto ao Tribunal de Justiça.
O processo contra o médico Orlando Alves Teixeira foi denunciado em 2012, também pelo Ministério Público, pelas práticas de aborto, peculato e corrupção passiva. Durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na clínica de propriedade do acusado foram apreendidos vários medicamentos abortivos.
Foi constatado que o profissional comercializava e mantinha, em depósito em sua clínica particular, medicamentos de uso proibido no país como Citotec e Mifepristone. Os referidos medicamentos destinavam-se à prática de abortos clandestinos dentro do Hospital Municipal de Barra do Garças.
Em 2012, época em que a Justiça recebeu a denúncia criminal oferecida pelo Ministério Público, foi determinado à imediata suspensão do exercício da função pública do médico. Ele era acusado da prática de aborto, cobrança indevida por procedimentos e desvio de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Já em 2014, mesmo afastado das funções públicas, Orlando foi preso após perfurar a parede do útero de uma adolescente durante um aborto em uma clínica particular em Barra do Garças. Devido à grave infecção uterina, sua trompa e ovário esquerdo foram extraídos.
O crime ocorreu no dia 27 de fevereiro de 2014. Consta na decisão, que o médico cobrou R$ 10 mil da adolescente para a realização do aborto, tendo efetivamente recebido da paciente o valor de R$ 2 mil.
Na decisão em que foi decretada a sua prisão em 2014, o magistrado explicou que o profissional teve a prisão preventiva decretada quando foi denunciado pelo MPE, mas manteve-se foragido até conseguir a suspensão da ordem de prisão.