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11/02/2019 - 12:21:38
Levantamento aponta que 400 escolas estaduais de Mato Grosso precisam de reforma

Na volta às aulas, boa parte dos estudantes da rede estadual de ensino vão encontrar escolas em condições precárias. Os problemas são antigos e conhecidos, mas a solução esbarra na falta de dinheiro e na vontade política em lidar com o ensino como prioridade. Em Mato Grosso, das 765 unidades educacionais estaduais, pelo menos 400 (52%) precisam de reformas. O ano letivo começou nesta segunda-feira (11).

De acordo com informações da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc), atualmente, 41 escolas estão com obras em andamento, sendo que 15 delas estão paralisadas. A Seduc informou ainda que, por falta de recursos financeiros, está impossibilitada de realizar melhorias estruturais nas unidades educacionais. “No entanto, a Seduc orienta as escolas a solicitarem verbas emergenciais, que podem ser usadas para pequenos reparos. Assim que o orçamento for aberto as verbas emergenciais serão liberadas para as unidades escolares”, informou. A rede conta com 40,3 mil profissionais e aproximadamente 392 mil alunos.

Os problemas vão desde avarias em telhados, nas redes hidráulicas e elétricas, falta de pintura, pisos danificados, entre outros. “Nós, estamos há alguns anos sem investimento massivo na melhoria e na adequação da estrutura das escolas, o que se acentuou muito nos últimos quatro a cinco anos para cá, principalmente, depois da operação referente aos desvios da Seduc, o que contribuiu muito para as não reformas”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), Valdeir Pereira.

Pereira se refere a operação “Remora”, deflagrada em maio de 2016 pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra fraudes em processos licitatórios para construção e reformas em unidades escolares de todo o Estado. A organização criminosa era composta por três núcleos: de agentes públicos, de operações e de empresários.

Conforme informações divulgadas na época, as fraudes no caráter competitivo dos processos licitatórios começaram a ocorrer em outubro de 2015 e dizem respeito a, pelo menos, 23 obras de construção e/ou reforma de escolas públicas em diversas cidades, cujo valor total ultrapassava o montante de R$ 56 milhões. Um dos detidos foi o ex-secretário Permínio Pinto.

Em Cuiabá, algumas das licitações alvos da operação referem a construção de cozinha, refeitório e dispensa da Escola André Avelino Ribeiro. A execução do projeto de acessibilidade, reforma de calçadas, banheiros e fraldário da João Panarotto, e a reforma geral da Newton Alfredo Aguiar, incluído as instalações hidro sanitárias e elétricas, quadra de esportes, sistema de proteção contra descargas atmosféricas e contra incêndios, construção de muro com grade.

Em Sinop (503 quilômetros, ao norte de Cuiabá), Pereira cita três colégios onde os trabalhos estão parados. Uma delas é a Escola Cleufa Hubner, Nossa Senhora de Lourdes e uma outra ainda sem nome. “Mais de 90% das obras que fizeram parte dessa operação estão paralisadas e as que foram retomadas elas foram suspensas por falta de pagamento. Inclusive, o governo passado (de Pedro Taques) esteve em dois momentos inaugurando o início dessas obras em Sinop, mas sem que saíssem efetivamente do papel”, informou.

A situação se agrava no interior do Estado. “Para além da reforma, algumas precisam mesmo é de construção. No município de Claudia, uma escola no Assentamento 12 de Outubro funciona em condições bastante precárias e já tem oito anos que a comunidade tem a promessa da construção de uma nova unidade, mas até agora conta com uma estrutura totalmente precária. “Essa é a realidade no Estado inteiro. Para dar uma maquiada, o governo esteve andando ainda pelos municípios entregando tintas para as escolas para que pudessem ser pintadas. Mas, na “prática há a necessidade ampla de reformas além de novas construções”, reforçou.

As condições precárias da estrutura física associada a falta de equipamentos ou recursos pedagógicos, como laboratórios, refletem diretamente na aprendizagem dos estudantes. “O reflexo imediato é sobre o processo de aprendizagem. E nós estamos vendo que o Estado de Mato Grosso tem patinado no ensino médio, principalmente, por que é necessário assumir uma dinâmica maior, inclusive, não só de investimento no espaço físico, como na formação e valorização dos professores”, disse. 

Fonte: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá
 
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