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25/07/2023 - 05:06:00
Travesti é acusada de agredir policial por causa de uso do banheiro masculino na rodoviária de Gurupi

Uma travesti foi autuada pela Polícia Civil suspeita de agredir uma policial penal no banheiro da rodoviária de Gurupi, no sul do estado. A confusão teria começado depois que a policial sugeriu que a travesti usasse o banheiro masculino. 

O caso foi registrado na última sexta-feira (21). A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Civil está investigando o caso e que a travesti não quis registrar boletim de ocorrência por homofobia.

A ocorrência chegou à delegacia depois que as duas pessoas envolvidas foram levadas para a delegacia pela Polícia Militar. Elas tinham se envolvido em uma briga no banheiro da rodoviária. Conforme a SSP, a policial penal disse que notou a presença “de uma pessoa de identidade de gênero diferente da sua” e sugeriu que usasse o banheiro masculino ao invés do banheiro feminino.

Nesse momento, a travesti teria partido pra cima da policial penal com agressões físicas. Na delegacia de plantão foi feito um termo circunstanciado de ocorrência por ameaça, lesão corporal dolosa e por porte de arma branca. Após o registro, as duas pessoas envolvidas foram liberadas. O caso segue agora para investigação na 4ª Delegacia de Menor Potencial Ofensivo de Gurupi.

Direito de ir ao banheiro -  Não existe atualmente nenhuma legislação federal que garanta o acesso a mulheres ou homens trans a usarem os banheiros público conforme o gênero que se identifiquem. O que existe, desde 2015 no Supremo Tribunal Federal, é um julgamento que trata sobre o tema, no qual os ministros podem decidir a questão. O caso ficou parado por sete anos e ainda não há previsão de julgamento.

Em entrevista ao g1, o presidente da comissão de diversidade da Ordem dos Advogados, Landri Neto, comentou que esse tipo de polêmica poderia ser evitado com a instalação de um banheiro sem gênero, de gênero neutro, em locais públicos.

“A gente consegue constatar que [os banheiros de gênero neutro] são essenciais para evitar essas situações. Não é para abolir o banheiro feminino ou o masculino, mas para colocar um terceiro. É um direito fundamental [usar o banheiro] e não tem como usar o banheiro masculino se ela se identifica e se coloca como mulher diante da sociedade”, comentou.

Para o especialista, o caso se enquadra como transfobia, mas também não justifica o ato de violência cometido contra a policial. "Tinha total direito de usar o banheiro de qual se sente à vontade [a travesti]. Para diminuir essas questões a sociedade precisa entender que três coisas são fundamentais para qualquer pessoa dignidade, respeito e informação ou educação".

Fonte: AMZ Noticias com G1
 
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