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Artigo
12/05/2016 - 10:13:18
Autor: Humberto Costa
 
A História não perdoará os traidores

O Senado pode escrever, nesta quarta-feira, uma sombria página da História do Brasil. Às 9h, começa a sessão em que, provavelmente, a maioria dos seus membros decidirá pela admissibilidade do processo de impedimento de Dilma Rousseff, afastando do cargo de chefe do Executivo uma mulher honesta e a primeira a conquistá-lo.

Essas tristes tintas decorrem de um processo kafkiano, em que uma presidenta que não cometeu qualquer crime passou a ser acusada de um crime que não existe. Dilma é vítima de uma quartelada civil, de um movimento sub-reptício que vilipendiou a Constituição e subjugou o estado de direito a vaidades pessoais.

O impeachment é um instrumento constitucional. Mas, no caso em tela, não há o crime de responsabilidade exigido para respaldá-lo. Todo esse processo nasceu da vendeta de Eduardo Cunha, adotado pela oposição para cumprir o trabalho sujo e, depois de usado, desprezado como lixo.

Incontáveis aberrações jurídicas foram cometidas para viabilizar esse impedimento, que nada mais é do que um golpe para tomar de assalto o Palácio do Planalto.

O grande coordenador desse neolacerdismo é Michel Temer, o conspirador-geral da República, que transformou o Palácio do Jaburu num balcão de feira em que negociou cargos e facilidades para derrubar Dilma da cadeira que conquistou pela vontade soberana dos brasileiros.

O PSDB, quatro vezes vencido pelo PT e comandado pelo candidato derrotado e inconformado Aécio Neves, foi linha de frente da conspirata que amalgamou tantos interesses vis.

O Senado tem a oportunidade de reparar o espetáculo de horrores havido na Câmara dos Deputados. Mas é lamentável observar que parte dos seus membros, muitos ex-ministros de Lula e Dilma e seus apoiadores ferrenhos em outros tempos, fecha os olhos às leis, ainda que silentes de vergonha, para dar azo a uma barbaridade contra a ordem constitucional.

“Se estão calados, é porque consentem”, bradou Cícero, o grande orador romano. Nesta quarta-feira, a população vai observar atentamente quem são os Brutus a trair um líder legitimamente no poder. Os golpes não serão de adagas, como em César, mas contra a ordem democrática.

Aos que defendem a nossa jovem democracia, restará a paz de espírito própria aos que estão do lado certo. Aos que atentam contra ela, mesmo que lavem as mãos, como Pôncio Pilatos, terão as consciências sujas. Afinal, ninguém fica do lado de Barrabás impunemente.

O povo brasileiro saberá entender o significado deste momento. O tempo fará justiça a Dilma. E inscreverá os carrascos do estado de direito nas páginas dos traidores da História, onde eles merecem estar assentados. 

* Humberto Costa é senador e líder do governo Dilma no Senado

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