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Artigo
15/07/2016 - 16:27:15
Autor: Maria Augusta Ribeiro
 
A realidade do consumismo digital infantil

Pode parecer bobagem, mas quantas vezes seu filho determinou uma compra de um produto novo na internet porque você não sabia qual levar? Sabia que essa facilidade aparente pode transformar o que é habito em compulsão infantil

O acesso à internet alterou as experiências de consumo dos adultos e das crianças. Antes era preciso sair de casa para ir às compras, e se fosse com os filhos havia toda uma logística para isso acontecer. Mas hoje ela é feita com um click nao importando a idade de quem esteja realizando a compra, já que temos a mania de deixar nosso cartões de credito plugados a empresa que mais utilizamos.

Segundo estudos, cerca de 10% da população consumidora sofre de compulsão por compras, transformando a atividade de consumo em alerta social. Somente 2% são causados por distúrbios de ordem médica. Os 8% restantes são consumidores levados ao consumo desenfreado por propagandas abusivas, produtos estimulados por impulso, ou indicados por influenciadores digitais.

Se nos adultos já é condição preocupante, imagine nas crianças?  Se tem crianças em casa é bom saber que elas são responsáveis por 83% das decisões de compra de tudo o que consome no seu lar.

E por que o hábito de comprar é tão prazeroso, inclusive para os pequenos? Existe um prazer genuíno em adquirir, seja para satisfazer nossas necessidades ou relacionado a um sonho de consumo ou mesmo uma carência.

Estamos tão digitalizados, que hoje redes sociais identificam nossos hábitos, nossos telefones se conectam entre si e interagindo 24 horas por dia.  Assim, não é incomum que compras sejam realizadas em ambiente digital, apenas porque estão sendo estampados em nossas telas o tempo todo.

Da blogueira de moda ao bebe numa creche, todos estamos sendo levados ao consumo. Porém, este estímulo pode mascarar doenças e induzir à “vontade de comprar” desde cedo, sem necessidade. E especialistas afirmam que 90% das crianças entre 7 e 10 anos não sabe diferenciar o que é propaganda do que é entretenimento.

Das propagandas com super-herói no detergente a mascotes no post da operadora de telefonia, tudo é estratégia para chamar a atenção das crianças e fazê-las consumir, e posteriormente, induzir os adultos também.

Os problemas gerados pelo estimulo ao consumo desde cedo são devastadores e vão desde a compensação com brinquedos pela falta de tempo que os pais tem aos filhos, até o estimulo da puberdade precoce, obesidade e problemas ligados a tireoide.

Especialistas afirmam que crianças estão aptas a consumir desde os 9 meses de nascimento quando começam a diferenciar as formas e que uma criança de 3 anos que consome apenas o que deseja tem 90 % de chances de ser um adulto despreparado psicologicamente.

A ideia de ter crianças de 3 anos sabendo diferenciar marcas de sabão em pó ou grifes de roupa é assustador, a dica é barganhar. Substitua uma parte do tempo que seu filho fica no tablet por leitura de livros e atividades em conjunto tipo “pais e filhos”.

Em ambiente controlado, as escolas podem fomentar grupos, competições e debates online sobre o consumismo e temas relevantes, monitorando essas atividades

Redes sociais, práticas de gamification e aprendizado colaborativo podem gerar debate e informar os pequenos, estabelecer regras para os jovens e ajudar os mais maduros a entender a gravidade da compulsão pelas compras que vai do ambiente físico ao virtual.

*Maria Augusta Ribeiro é especialista em Netnografia e Coordenadora de Comunicação da BPW Brasil

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