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Artigo
07/07/2017 - 18:44:14
Autor: Aline Almeida
 
Terra sem lei

Nasci, cresci e moro em Várzea Grande, a terra que ultimamente tudo de bizarro acontece. Agora a nível nacional, a minha Cidade Industrial mais uma vez ganhou destaque, como sempre, negativamente. No último dia 28, 16 vereadores de Várzea Grande aprovaram a moção de repúdio contra a agente da Guarda Municipal Stefanny Anjos. Ela teve a conduta repreendida após aplicar uma multa ao vereador Edilei Roque de Cezaro, o Neni Chimarrão (PTC), que havia estacionado em local proibido, em frente à Prefeitura de Várzea Grande.

Como se não bastasse, num programa televisivo, o vereador Pedrinho Tolares (DEM)continuou repreendendo a atitude da guarda que cumpriu sua função. Num dos momentos o parlamentar chegou a defender que existem leis que não precisam ser defendidas tão à risca. Por um minuto senti vergonha de morar nesta cidade. De Várzea Grande ser apontada como cidade dos desmandos, das esquisitices.

É lamentável ver uma cidade que tinha tanto potencial e que precisa de pessoas fortes para reerguer dos inúmeros baques sofridos, entregue nas mãos de parlamentares como estes. Querem ser colocados em redoma e estar acima de tudo, inclusive das leis. Agem em benefício próprio e querem que o errado esteja certo para beneficiá-los.

Numa rápida pesquisa, podemos constatar que “vereador” é originário do grego antigo e vem da palavra “verea”, que significa vereda, caminho. O vereador, portanto, seria o que vereia, trilha, ou orienta os caminhos. No idioma brasileiro o verbo verear é o ato de exercer o cargo e as funções de vereador. Portanto o vereador é a ligação entre o governo e o povo. Ele tem o poder de ouvir o que os eleitores querem, propor e aprovar esses pedidos na câmara municipal e fiscalizar se o prefeito e seus secretários estão colocando essas demandas em prática.

Se o vereador é quem orienta os caminhos, Várzea Grande está seguindo para um poço sem fundo. É claro que estão ali porque foram eleitos, mas certamente, a maioria que elegeu já deve estar arrependida amargamente. Serão mais quatro anos de histórias que se repetem na cidade, vereadores que se tornam apenas figuras decorativas e que ora ou outra são conhecidos, não por seus projetos e ações, mas pelas lambanças.

Infelizmente ainda temos mais de três anos pela frente, episódios e mais episódios lamentáveis estão por vir. Que este remédio amargo sirva ao menos de uma cura para o futuro. Cura para elegermos melhor nossos representantes e ter a consciência que a eleição não se resume no dia do voto.

Aline Almeida é repórter jornalística em Mato Grosso

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