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Artigo
29/10/2017 - 06:55:48
Autor: Elizeu Silva
 
Meio século da reforma protestante

Outubro se finda e lá se vão 500 anos após Martinho Lutero ter abalado a estrutura da Igreja Católica Apostólica Romana ao defender suas 95 teses, que nelas se incluem a extinção das indulgências e condenação do luxo de que desfrutava o papa em Roma.

Sim, meio século do início dos questionamentos do mundo teocêntrico (que coloca a religião no centro da sociedade) se vai. Graças a Lutero, se conteve o poder excessivo que a Igreja desempenhava na sociedade.  

Mesmo numa época em que o humanismo ainda se restringia apenas ao meio intelectual, e não as camadas populares da sociedade, Martinho Lutero conseguiu mobilizar praticamente todos os setores da sociedade alemã.

Parte deste relato é bem retratado pelo historiador Marcos Emílio Ekman Faber (www.historialivre.com). E, de acordo com Faber, a Alemanha se ofereceu ambiente propício para isso, pois no começo do século XVI não existia uma Alemanha unificada como conhecemos hoje.

Marcos Faber que também é professor de História na rede estadual do Rio Grande do Sul e na rede municipal de Cachoeirinha, cidade da grande Porto Alegre, discorre que na região da Alemanha existiam vários pequenos reinos e principados que, por sua vez, estavam abrigados debaixo do enfraquecido Sacro Império Romano.

Na região, a economia era muito atrasada se comparada a outras áreas da Europa. A nobreza constituía a camada social dominante, o clero (padres, monges e bispos), apesar de dominarem no aspecto ideológico, não tinham o mesmo domínio político que desfrutavam em outras regiões.  

O professor Faber também ressalta que para piorar a situação de miséria do povo, que no início do século XVI, chagaram a região cobradores de indulgências (documento que garantia o perdão dos pecados ao portador).

Os “padres indulgentes” tinham por missão vender o máximo de documentos expiatórios que pudessem aos empobrecidos camponeses alemães. Foi dentro deste contexto que surgiu o monge católico Martinho Lutero (1483-1546).

Lutero, assim como muitos monges da época, não concordava com a “venda do perdão” e, muito menos, com a exploração que seus conterrâneos estavam submetidos. Com isso, em outubro de 1517, Lutero afixou na porta do castelo de Wittenberg suas famosas 95 Teses.

Nelas, o monge alemão, defendia a extinção das indulgências e condenava o luxo de que desfrutava o papa em Roma. Para surpresa do alto clero romano, Lutero obteve o apoio de praticamente todos os setores da sociedade alemã.  

Com isso, o papa Leão X exigiu que Martinho Lutero se arrependesse e se retratasse. Como o monge negou-se, foi excomungado (expulso da Igreja) pelo papa. Fato que levou uma série de nobres alemães a se desligarem da Igreja de Roma.

Livre das limitações teológicas a que estava submetido, Lutero passou a escrever uma série de livros e tratados onde defendia a revitalização (renascimento) da Igreja.

Nestes livros, Lutero estabeleceu a Bíblia como a mais alta autoridade doutrinária da Igreja. Para ele, todas as doutrinas deveriam ter a Bíblia como fundamento. Para Lutero, a salvação era fruto direto da fé do cristão em Deus.

Ao contrário do que defendiam os católicos, para o reformador, não havia intermediários entre os homens e Deus. A salvação somente poderia ser alcançada pelo relacionamento entre o fiel e Deus. Enquanto Igreja Católica defendia ser ela mesma a intermediária entre os homens e Deus.

Lutero afirmava que a Igreja não era o caminho até o Senhor, o papel da Igreja era o de apontar o caminho até Deus.

Mas, mesmo que criticasse a atuação da Igreja, Lutero defendia a existência dela, pois, o fiel necessitava fazer parte da Igreja (que era o Corpo de Cristo).  

Em resumo, Lutero procurou interpretar a Bíblia como sendo umas das ferramentas graciosas utilizadas por Deus para se revelar por si só a homens e mulheres, e não dependendo de intermediários.

Por isso, a Bíblia deve ser lida na mais alta conta. Ao fazermos isso, veremos que o amor a Deus, o desejo de conhecê-lo melhor e de obedecer a Seus Mandamentos nos projetará a estuda-lá com zelo, mesmo sabendo que ela (Bíblia) foi dada a nós por intermédio de homens, mas o autor verdadeiro é o próprio Deus.      

*Elizeu Silva é jornalista em Mato Grosso.

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