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Artigo
06/01/2018 - 22:01:02
Autor: Onofre Ribeiro
 
Nós e nós mesmos

Neste fim de ano, fiz umas viagens. Passei o Natal com minha família em Brasília. Depois, fui à pequena Campo Alegre, município de Santa Rosa da Serra. Lugar belíssimo, região de café, entre as lendárias serras de Minas.

Fui visitar dois amigos da minha adolescência, cuja família sempre teve fazenda de café ali mesmo.

Ao me mudar pra Brasília, em 1961, nos afastamos: Tarcísio e Geraldo. Graças à internet, Cristina, filha do Geraldo, que mora em Belo Horizonte, me localizou no facebook e retomamos o contato familiar.

Depois, veio o Whatsapp e meus contatos com Tarcisio se normalizaram. Através dele marcamos minha ida lá.          

Saímos de Brasília, Carmem e eu. Fomos de carro. 600 km. Chegamos no fim da tarde. Velho reencontro. Primeiro com Tarcisio e a esposa Alvarina. Geraldo e Cleusa. Depois com toda a família. Bastante gente. Aconchego mineiro.

Quem conhece sabe do que estou falando. Pão de queijo, cafezinho da própria lavoura, prosa lenta, sotaque manso. Noites curtas pra tanta prosa.

O Ano Novo comemorado em família com tudo a que se tem direito em Minas. Incluindo a prosa e o humor. Tudo falsamente tímido. No fundo a generosidade é imensa e o coração completamente aberto.

Um jeito de viver humano escondido na simplicidade de quem aprendeu a dominar aquelas serras todas, o clima frio e a chuvinha mansa e persistente.          

Campo Alegre é bem pequena. Uma rua central que é também a rodovia que a liga à sede, Santa Rosa da Serra, e à rodovia BR-262. Ficamos lá por três dias. Boa prosa sempre. Comida boa. Pão de queijo, cafezinho. Queijo. Leitoa assada. Inesquecíveis.

Fui também a Campos Altos, onde nasci. Revi dois amigos: Afrânio e Joubert Bittencourt. Excelentes prosas. Memórias preciosas. Mas fui também à sede da velha fazenda onde nasci. Entre serras. Voltei no tempo. Nem sinal de ruínas do que lá existiu e abrigou a nossa família por tantos anos.

Tudo muda, afinal. Andei pela velha lavoura de café pendurada no morro, hoje tomada pelo mato. Café agora é no cerrado mecanizado. Desci e subi morro. Caí dezenas de vezes no campinzal alto. Mas, de algum modo, resgatei pedaços vividos na minha vida.

Revivi meu pai e minha mãe moços, eu criança e meus irmãos pequenos. Até a velha árvore de pau dóleo sumiu. Nem o toco ficou.         

O curioso, refleti depois, é que a vida caminha e a gente deixa pedaços dela pra trás. Embora pareçam distantes no tempo, eles se interligam nos espaços vazios quando confrontados com a vida presente.

Tudo faz sentido. Talvez aquelas serras eternas que nos cercavam e continuam lá firmes, sejam em parte responsáveis pelo meu jeito intimista de ver as coisas. Serra sugere isolamento e silêncio.          

Viajei de volta à minha Cuiabá com o coração amansado das velhas saudades. E recomposto pelo carinho dos amigos que lá deixei. Retomados e retomaremos a vivência. Vamos voltar lá. Coisas de mineiros...

 

*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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