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08/04/2018 - 21:51:56
Autor: Pablo Rodrigo com Gazeta Digital
 
Cuiabanos são minoria na Câmara de Vereadores; veja de onde vieram

Conhecida como uma cidade que acolhe todos que aqui chegam, Cuiabá tem apenas 10 das 25 cadeiras na Câmara Municipal ocupadas por vereadores nascidos na “terra de Dom Aquino”. Para a maioria deles, tanto os parlamentares de “tchapa e cruz”, quanto os “pau rodados”, a diferença entre os números não é um problema.

Vereador pelo quarto mandato, Mário Nadaf (PV) acredita que essa “minoria” de cuiabanos no Parlamento é resultado do próprio desenvolvimento da Capital e de Mato Grosso, como um todo. Ele lembra que, a partir da década de 1970, aumentou a chegada de pessoas vindas de outras regiões. “A gente é um povo acolhedor”, destaca. “Se eles têm a consciência de que é preciso apresentar mais projetos para valorizar nossa cultura, nossa culinária e linguajar, está de bom tamanho”, diz.

Para Diego Guimarães (PP), que nasceu em Cuiabá mas viveu maior parte da vida no interior do Estado, ser representante de sua terra natal é uma forma de agradecer e redescobrir suas origens. “Eu nasci aqui e fui morar com minha família em outra cidade. Retornei há pouco tempo e, hoje, represento todos os cuiabanos. Os que nasceram aqui e os que foram adotados”, brinca.

Além de Nadaf e Guimarães, fazem parte da “bancada” de cuiabanos legítimos os vereadores Felipe Wellaton (PV), Juca do Guaraná Júnior (Avante), Justino Malheiros (PV) - que é presidente da Mesa Diretora -, Lilo Pinheiro (PRP), Marcelo Bussiki (PSB) e Paulo Araújo (PP). Além deles, o licenciado Vinicius Clovito (PP), que atualmente responde como secretário municipal da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Econômico.

Já a bancada dos “pau rodados”, que no “cuiabanês” significa aqueles que vieram de fora para morar na Capital mato-grossense, é composta por 15 vereadores. Entre eles está o mais antigo da Câmara, Chico 2000 (PR). Capixaba, que nasceu na cidade de Iúna, no Espírito Santo, ele diz que o povo cuiabano é o principal responsável pela grande quantidade de pessoas de outros Estados que vêm para cá.

“Desde o primeiro dia que cheguei aqui, fui bem recebido e sempre tratado com respeito. Isso faz com que todos nós que viemos de fora, escolhamos Cuiabá para viver e criar os nossos filhos”, disse. “Nunca sofri nenhum tipo de preconceito por não ter nascido aqui”, afirma.

Para Toninho de Souza (PSD), que é do município Planalto da Serra, o “bairrismo” até chegou a existir, mas sumiu com a chegada daqueles que ele chama de “novos cuiabanos”. “A junção dos que vieram de fora com os cuiabanos, resultou nos novos cuiabanos e, com isso, minimizou esta questão de ter ou não nascido aqui”.

O pessedista destaca que a função dos vereadores, principalmente dos que não nasceram na Capital, é lutar para a valorização da cultura local. “Como vereador, nós temos essa obrigação de preservar a nossa cultura, resgatar a nossa história como, por exemplo, o centro histórico, que ficou abandonado por décadas”, defende.

Da bancada dos “paus rodados”, além de Toninho, oito parlamentares são do interior do Estado: Adevair Cabral (Poxoréu), Drº Xavier (Rosário Oeste), Elizeu Nascimento (Tangará da Serra), Wilson Kero-Kero (Juscimeira), Renivaldo Nascimento, Misael Galvão e Marcrean Santos, ambos de Dom Aquino.

Completam a lista os vereadores que vieram de outros Estados. São eles, Dilemário Alencar (Campos de SalesCE), Marcos Veloso (São José do Rio Preto-SP), Gilberto Figueiredo (Curitiba-PR), Orivaldo da Farmácia (Divino das Laranjeiras-MG) e Ricardo Saad (Ponta Grosso-PR).

Para o cientista político João Edisom, essa “despreocupação” quanto ao fato de o político ser ou não nascido na cidade ou no Estado que representa é mais um efeito da globalização. Ele afirma acreditar, no entanto, que Cuiabá ainda não conseguiu ser a Capital dos mato-grossenses. “Precisa ser mais mato-grossense do que da Baixada Cuiabana. Perdeu essa força que precisa ser resgatada”, avalia. “Cuiabá precisa buscar uma identidade, sem perder a cultura, a tradição e a história”, acrescenta.

Para ele, não é problema que a maioria dos vereadores não tenham nascido em Cuiabá. “O problema é quando não se têm identificação com Cuiabá”, afirma. “Um exemplo claro é o músico Pescuma. Ele não nasceu aqui e é uma das pessoas que mais representa a nossa cultura. O local de nascimento é muito diferente da questão da identificação”.

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