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Artigo
27/04/2018 - 10:28:49
Autor: Vicente Vuolo
 
Ignorância política

Quanto mais viajo por este país e observo a movimentação social, econômica e política, mais me convenço de que estamos perigosamente rodeados de ignorantes políticos. Tal, é a visão míope, do ponto de vista dos interesses pátrios.

Às vezes, é difícil mensurar quantos são e quem são? Sabemos, porém, que são milhões, que se afastaram do processo eleitoral e muito menos querem votar. Nas eleições em segundo turno de 2016, a abstenção somada com os votos em branco e nulos chegou a 32,5%, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou à época. Hoje, a maioria do povo está alheia dos temas e das prioridades nacionais. Nem parece que nos aproximamos de uma eleição, que reputo, uma das mais importantes da nossa história.

Diversos sábios da Ciência, em todos os tempos, têm se manifestado sobre a “Ignorância dos Seres Humanos”. Dentre eles, podemos destacar o filósofo Sócrates (469-399, A.C.), que afirmou “O tolo, quando erra, queixa-se dos outros; o sábio queixa-se de si mesmo”. Para o literato Arturo Graf (1848-1913), “a sabedoria e a razão, falam; a ignorância ladra”. Um grande brasileiro, nosso maior jurisconsulto, Rui Barbosa, que a respeito dela disse: “A chave misteriosa das desgraças que nos afligem é esta: a Ignorância! Ela é a mãe da servilidade e da miséria”.

A palavra “Ignorante” tem a sua origem no latim, pelo vocábulo "ignorantia", que é derivado de "ignorare", cujo significado é “não saber”. Mas, também, pode significar a crença em elementos amplamente divulgados como falsos.

Não pretendo aqui me transformar num libelo contra os ignorantes. Muito menos, agredir, criticar, demonizar ou julgar quem quer que seja. O meu propósito é procurar entender esse terrível fator de atraso, retrocesso e estagnação do nosso desenvolvimento.

A Operação Lava-Jato, deflagrada em 2014, que continua com desdobramentos, revelou um alto nível de degradação moral nos poderes Legislativo e do Executivo (o que não deixa à salvo o Judiciário nem o Ministério Público). Por mais assustadoras que sejam as revelações de que políticos poderosos receberam milhões de reais de empreiteiros, ainda estão enraizadas posturas antiéticas de muitos que querem o sucesso nas urnas.

Vivemos um círculo vicioso. As prioridades nacionais estão voltadas para atender aos interesses dos partidos políticos, dos governantes, dos privilegiados e encastelados no poder, às custas do voto dessa mesma população, que parece pouco se importar com os caminhos do próprio país. Esse vício é uma peste que condena o Brasil a se manter, permanentemente, no estágio de nação subdesenvolvida.                                          

É preciso dar um basta na mentira, na fantasia, na propaganda enganosa votando conscientemente. Protestar contra a corrupção, com o aumento do número de votos brancos, nulos e abstenções não iremos mudar o país.

Quando uma pessoa ou uma parcela da sociedade, por melhores que sejam seus motivos, deixa de votar ou vota em branco ou nulo, ele acaba aumentando as chances de quem ela não queria, se elegesse. É uma matemática simples. Você não vota em uma boa pessoa, porque acha que todos não prestam, mas isso faz com que somente os votos dados aos corruptos ou piores candidatos sejam válidos. Se 30% ou mais dos eleitores fizerem isso, é certo que os resultados serão cada vez piores. Mas, ao contrário, se você escolher bem seu candidato e participar ativamente do processo, discutindo política em casa e com os amigos, você certamente estará fazendo melhor e poderá mudar o quadro geral.

É claro que não é só isso! Política não é uma coisa somente no dia da eleição, ela está, queiramos ou não, presente em nosso dia a dia. E deve ser exercida diariamente. Tanto no acompanhamento do que fazem nossos representantes, como no exercício cívico da pressão para que os melhores interesses e objetivos sociais sejam transformados em leis. Uma nação desenvolvida é aquela onde a cidadania é forte!

*Vicente Vuolo é economista e cientista político

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