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Artigo
16/05/2018 - 10:36:19
Autor: Luciana Seabra
 
O café do jacu

Dei um pote de café de presente de Dia das Mães no domingo. Não, não era qualquer café, antes que você me acuse de sovina: paguei algumas centenas de reais no tal do café do Jacu.

O Jacu é um pássaro nativo da Mata Atlântica que come grãos de café. Os grãos que saem nas fezes dele – quero acreditar que depois de lavados – são moídos. Daí sai o café mais caro do Brasil.

Antes que você diga que jacu sou eu de ter comprado o café dos dejetos do pássaro, minha mãe ficou feliz da vida com o presente. E foi logo citando Morgan Freeman no filme “Antes de Partir”, que, internado com câncer, ao lado de um bilionário, chora de rir ao descobrir que o café que ele toma com tanta pompa tem origem nas fezes de um animal – não do pássaro do Espírito Santo, mas da civeta, um gato selvagem da Indonésia. Parece que o tal café, Kopi Luwak, é o mais caro do mundo, passando de 50 dólares a xícara (ainda chego lá, mãe).

Eu, ao ler o rótulo do café do Jacu, só conseguia pensar na antifragilidade do Nassim Taleb (é no que dá a escola Felipe Miranda). Explico: o Jacu era considerado uma praga para a plantação, porque comia grandes quantidades de café todos os dias.

Os donos da fazenda Camocim, no Espírito Santo, poderiam ter resistido a tal fragilidade afastando o pássaro – que habita somente áreas florestadas e conservadas. Assim se tornariam robustos. O que eles fizeram, entretanto, foi ganhar com a adversidade.

Ao tomar conhecimento do Kopi Luwak, os cafeicultores decidiram usar também o pássaro como um parceiro na seleção de cafés de alta qualidade. A história é que o pássaro é exigente – jacu em tupi, segundo o rótulo, é “aquele que colhe os melhores grãos”. E lá se foram eles catar o café nos dejetos do pássaro.

Ainda que seu estômago não lide bem com tal contexto, uma coisa você não pode negar: os fazendeiros da Camocim transformaram um potencial prejuízo em lucro – e que lucro! (não posso revelar o valor do presente: minha mãe deve estar lendo).

Nassim Taleb defende que tornemos também o nosso portfólio não robusto, mas antifrágil. Assim como a fazenda Camocim, um fundo de dólar, por exemplo, é antifrágil. Pode começar a observar: em meio ao estresse, ele costuma ganhar dinheiro. Da mesma forma, alguns gestores de ações montam estruturas com opções para ter retorno em cenários opostos ao consenso.

*Luciana Seabra é jornalista e consultora em markentig comercial

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