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04/08/2018 - 14:08:53
Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiaba
 
Uso e tráfico de drogas “dominam” região histórica do centro de Cuiabá

Praças, parques, ruas e avenidas são espaços de propriedade e domínio da administração pública, ao qual cabe cuidar e garantir a todos os moradores o direito a seu uso e usufruto.

Quando essas áreas não recebem o devido cuidado, ocorre uma rejeição imediata e, por vezes, acabam sendo utilizados como esconderijos, para a prática de delitos, abrigo de moradores de rua, uso e tráfico de drogas.

Problemas como estes vêm ocorrendo em bens públicos e casarões fechados ou abandonados (públicos e particulares), localizados no Centro Histórico de Cuiabá, região que compreende aproximadamente 8 mil metros quadrados (m2), entre as Avenidas Coronel Escolástico, Tenente Coronel Duarte (Prainha), Isaac Póvoas e as Ruas Cândido Mariano, Barão de Melgaço e a Joaquim Murtinho.

Entre essas áreas, estão o Beco do Candeeiro, Escadaria do Beco Alto, Mercado Municipal e o Parque Antônio Pires, mais conhecido como Morro da Luz, onde também fica a antiga escadaria de 115 degraus e passagem para quem está a pé no Centro e precisa ir até algumas empresas ou órgãos públicos que funcionam na parte de cima da colina.

Além de ocupar esses espaços públicos, boa parte dessas pessoas, a maioria homens, "toma" conta dos pontos de semáforos nas principais vias centrais e das vagas públicas para estacionamentos de carros e motocicletas para pedir esmola, situação que só alimenta o vício e o tráfico.

Para a vendedora Francisca do Nascimento, 31 anos, a situação gera muita insegurança. “A gente não tem como provar, mas muitos casos de furtos e arrombamentos que ocorrem na região têm o envolvimento desses moradores e usuários, que cometem crimes para sustentar o vício”, disse. “A gente acaba desviando o caminho e fazendo a ‘política da boa vizinha’ para não ser atacado ou ainda mais prejudicado”, acrescentou.

Única reserva ecológica da capital, o Morro da Luz está tomado por moradores de rua, boa parte dependente químico, e dominado pelo tráfico de drogas. Quem trabalha ou mora pelas proximidades diz que nem a polícia entra na área verde. Fala-se até que o local é controlado por facções criminosas, entre elas, o Comando Vermelho (CV). A reportagem do Diário tentou falar com a Policia Militar sobre o assunto, mas não conseguiu.

A invasão do morro se intensificou após a desocupação do Largo do Rosário, mais conhecido como Ilha da Banana, que seria um dos terminais do veículo leve sobre trilhos (VLT). Mas, a ilha, em frente à Igreja do Rosário (tombada pelo Patrimônio Histórico) ainda serve de abrigo para essas pessoas, que se revezem entre um local e outro, incluindo, o Beco do Candeeiro, que fica do outro lado, paralelo a Prainha.

“Todo mundo sabe dessa realidade. Até estão (prefeitura) reformando algumas praças ao redor para mudar, mas acho que só isso não resolve. Tem que tirar e tratar essas pessoas”, disse Fabiana Lopes, gerente de um estabelecimento comercial localizado nas proximidades do Beco.

Em reportagem divulgada no dia 09 de junho passado, intitulada “Abandonado, virou ponto de drogas e prostituição, o Diário mostra a situação de decadência em que se transformou o antigo Mercado Municipal “Miguel Sutil”, localizado entre a Isaac Póvoas e a Joaquim Murtinho.

O prédio, que já foi um dos mais importantes endereços comerciais da cidade, está em ruína e é hoje ponto de prostituição, uso e tráfico de entorpecentes. Por lá, os relatos dão conta que o uso ou tráfico e a atividade sexual ocorrem desde as primeiras horas do dia, por volta das 10 horas, até altas horas da noite, em meio ao som alto e entre um corredor e outro dos boxes, com saída para um prédio aos fundos (na Joaquim Murtinho).

Dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) mostram que a região central (centro sul e norte) registrou 2.363 roubos e furtos, em 2017. Comparado aos cinco primeiros meses do ano passado, houve uma redução 11% no número de ocorrências no mesmo período de 2018: de 1.024 ocorrências para 918. Porém, nada que tranquilize moradores e comerciantes.

REVITALIZAÇÃO – Com o intuito de resgatar a história e proporcionar espaços públicos agradáveis para que a população volte a frequentá-los com conforto e segurança, a Prefeitura de Cuiabá deu início a revitalização de espaços públicos, localizados no Centro Histórico.

Além das praças Alencastro e Ipiranga, que foram reformadas com recursos próprios, outras áreas públicas, como as praças “Senhor dos Passos”, entre a Rua Sete de Setembro, “Dr. Alberto Novis”, nas proximidades do Calçadão da Galdino Pimentel, Conde de Azambuja (Mandioca), e o Beco do Candeeiro, receberam ou receberão melhorias por parte do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC Cidades Históricas, do Governo Federal.

A expectativa é de que o Morro da Luz também seja revitalizado. Para isso, no entanto, a prefeitura ainda busca recursos. Enquanto isso, segue como um espaço de ameaça e de maior vulnerabilidade de Mato Grosso. A afirmação foi feita em setembro do ano passado, pelo secretário de Ordem Pública, Leovaldo Salles, durante uma “operação” de limpeza na área verde de aproximadamente três hectares.

Já o projeto do Largo do Rosário está sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Cidades. Por lá 10 imóveis de um total de 15 foram demolidos. Os demais aguardam decisões judiciais referente a desapropriação já que os proprietários de pelo menos um deles não concorda com o valor que o Estado quer pagar. Enquanto isso, os trabalhos seguem parados e, o local, continua como um dos principais pontos de usuários de drogas.

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