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Artigo
27/10/2021 - 15:55:00
Autor:  Linnomar Bahia
 
Como os mitos morrem – Por Linomar Bahia

Em janeiro de 2018, os professores Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, da universidade norte-americana de Harvard, publicaram "Como das democracias morrem", compilando 20 anos de estudos sobre o colapso dos regimes democráticos na Europa e na América Latina. Chegaram a conclusões alarmantes sobre o processo de subversão observado nos Estados Unidos, a partir da eleição de Donald Trump. Exemplos dos últimos 100 anos, incluem a ascensão de Hitler e Mussolini em 1930, comparada a uma "onda populista de extrema direita européia, chegando às ditaduras militares latino-americanas dos anos 1970...".

Analogias entre protagonismos e motivações de cada época, permitem refletir sobre como os mitos (nascem e) morrem, nos episódios e circunstâncias, vividos pelos brasileiros praticamente desde o descobrimento. Envolvem a atividade política e os desfechos da acidentada história brasileira, paradoxalmente em decorrência da própria vigência democrática. Mitos produzidos pelas questões nacionais têm sido frutos das persistentes dificuldades do país, motivadas pelos anseios de mudanças e melhoria das condições de vida das pessoas, inspirando o eleitorado a votar em quem lhe parece o "salvador da pátria".

Gerações dos anos 1960 lembram do fenômeno Jânio Quadros, eleito sucessivamente vereador, prefeito, deputado estadual, governador de São Paulo e presidente da República. Disfarçado de mendigo e com uma "vassourinha", com que prometia varrer a corrupção de então e de sempre, todavia nos poucos sete meses em que esteve no Planalto, seus atos mais importantes foram a proibição do "biquíni" nas praias e coibir  brigas de galo, passando ao largo da varrição nos costumes e nas continuadas práticas corruptas. Esquecida a vassoura, tentou sobreviver na tentativa de um auto-golpe mas, abandonado pelo povo, renunciou.

Outro exemplo de nascimento e morte do mito foi a ascensão e queda de Fernando Collor, eleito em 1990 por um partido nanico, com o "caçador de marajás" e portador de única bala com a qual liquidaria o "tigre da inflação". Logo decepcionou, ao instaurar o que ficou conhecido como "República das Alagoas", congelar contas bancárias. Passou a ser um exibicionista e protagonizou episódios caricatos, simbolizado pela "Casa Dinda", escândalos financeiros, personalizados em PC Farias, uma "Operação Uruguai" fictícia para encobrir "sobras de campanha", saindo escorraçado pelos "caras pintadas".

Uma passagem pelo nascimento e morte de mitos, relaciona centenas de personagens de todos os tempos, ungidos com promessas de milagres econômicos e sociais e, depois, execrados pelos enganados como déspotas e corruptos. Até que novos "messias", como agora, encenem versões das mesmas promessas, em mais um capítulo desses personagens mitológicos, repetindo no país das mesmas dificuldades e decepções anteriores, não obstante reincidindo no mais do mesmo. Entoam o "canto da sereia", que, na mitologia grega, seduzia os marinheiros que, encantados, levavam seus barcos a naufragar. Tal e qual.

*LINOMAR BAHIA é jornalista, radialista profissional e articulista dominical do Jornal O Liberal 

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