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Artigo
08/11/2021 - 21:15:00
Autor: Onofre Ribeiro
 
Brasil e brasis – Por Onofre Ribeiro

Alguns fatos simultâneos confirmam uma certa sincronicidade histórica neste momento. Tanto no Brasil como no mundo. Venho acompanhando muito atentamente todo o universo da pandemia desde o seu surgimento no começo do ano passado. E o que se vê neste fim do ano de 2021, é muito relevante e reflexivo.          

De um lado temos a diminuição da força da pandemia no país. De outro, temos que conviver com as consequências sanitárias, econômicas, políticas e comportamentais que a doença esparramou. E num terceiro plano, temos a COP26, a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Glasgow, na Escócia.

A COP do clima é um evento que discute o futuro não só do Brasil, mas de todo o planeta em relação principalmente a emissões de gases de efeito estufa.           

Onde entra o Brasil nisso? Neste momento há uma pressão mundial muito grande sobre o Brasil nas questões ambientais. De um lado crítica severas, e de outro pressões econômicas com visíveis interesses futuros. Obvio que não existem, anjos e santos nesse ambiente macroeconômico mundial.

No começo deste século o agronegócio brasileiro foi demonizado pelos sistemas ambientais mundiais, em especial as ONGS ambientalistas, que são na sua maioria braços de grandes interesses econômicos mundiais. Feitos os acordos ambientais necessários, a agricultura brasileira incorporou-se aos mercados mundiais sem maiores resistências.          

Hoje se olha especialmente o futuro. Mas falar em futuro sem levar em conta as incertezas climáticas mundiais é muito perigoso e o papel do Brasil nesse aspecto.  

Mesmo na COP 26 que neste ano está mais proativa do que crítica, sabe-se que não se resolverá os problemas climáticos do mundo sem a cooperação e a participação do Brasil.          

Melhor traduzindo: a solução dos problemas climáticos mundiais passa pelas posições do Brasil. Neste momento há pressões de alguns países europeus, mas eles sabem que terão que se sentar com o Brasil e negociar. Fora do campo dos ataques guerrilheiros, porque no futuro próximo que produzir comida de forma sustentável terá mais poder do que quem produz armas.          

No momento atual o Brasil está tratando a questão ambiental fora do campo tradicional das ONGS e das organizações políticas internacionais. Está tratando dentro de uma visão nacionalista. Está gerando muito stress lá fora. Mas é o caminho, dada a importância do Brasil no tabuleiro mundial de comida e de recursos naturais.

O agronegócio brasileiro, por exemplo, que já foi o alvo central de todos os ataques, aprendeu a produzir com sustentabilidade muito mais eficiente e rigorosa do que países europeus e os EUA.                     

Dentro do Brasil há polarizações políticas completamente divergentes defendendo posições no campo ambiental com olhares muito diferentes. Isso está trazendo mais confusão do que contribuição. Mas, na essência, o Brasil está indo na direção certa e agindo com olhar de nacionalismo.

O mesmo nacionalismo que os EUA e os países da Europa usam ao defender os seus interesses nacionais. Espera-se que as divergências políticas internas brasileiras, não impeçam o caminhar do país para um novo papel inevitável no cenário mundial. O mundo pós-pandemia pensa com cabeça diferente das ideologias e dos simples interesses imediatos. Aliás, essa é a grande lição deixada para as nações. 

*ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso

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