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Artigo
18/11/2021 - 08:15:00
Autor: Arno Schneider
 
Do boi só se perde o berro - Por Arno Schneider

O jargão "Do boi só se perde o berro" provavelmente inventado por um pecuarista, é antigo e relacionado ao aproveitamento quase total dos bovinos por ocasião do abate. Com o desenvolvimento tecnológico esta afirmação passou a ser mais atual.

Até os cascos, antes descartados, são utilizados para a fabricação de colágenos com aplicações na indústria farmacêutica e estética facial. Pêlos se transformam em filtros de ar e escovas. O sebo é utilizado na indústria de pneus e tintas e é um dos componentes do biodiesel.

Sangue e vísceras, que possuem exigências sanitárias especiais, são componentes proteicos de rações pet. O Brasil é grande exportador dessas rações. Cachorros e gatinhos do Mundo inteiro agradecem.

O couro, inicialmente processado pelos cortumes, na sequência se constitui na matéria prima para indústria calçadista, do vestuário e de inúmeras outras utilidades.

Os ossos, após processados, são componentes de suplementos minerais. O esterco do gado recolhido nos confinamentos, se transforma em biogás.

O coroamento disso tudo é representado pelo leite, carne e miúdos que fornecem alimento de qualidade para bilhões de humanos, movimentando uma intensa indústria láctea e frigorífica.

Todos esses produtos dão suporte para dezenas de segmentos industriais. Se o abate de bovinos for interrompido no Brasil, serão paralisadas milhares de indústrias e estabelecimentos comerciais, com graves consequências econômicas e sociais. Mesmo assim, o setor é criticado por ambientalistas e celebridades, tanto por desconhecimento como por questões ideológicas.

Basicamente estas críticas são direcionadas ao bem estar animal, emissão de gases de efeito estufa e prejuízos à saúde pelo consumo da carne vermelha. Bem estar, é sinônimo de desempenho animal. Nenhum pecuarista ousaria promover ações contra a felicidade do seu rebanho.

Na natureza os animais estão constantemente estressados fugindo de predadores. Feridas que provocam bicheiras e doenças promovem morte lenta e sofrimento. A lei da selva é muito cruel. Existe uma legislação para evitar estres ou qualquer tipo de sofrimento aos animais por ocasião do abate.

Quanto à saúde humana pelo consumo da carne, citaremos o conceituado centro de pesquisas Annals of Internal Medicine, que afirmou que não há evidências científicas para sustentar uma recomendação de redução no consumo da carne vermelha.

Comer carne, além de prazeroso é saudável. É uma excelente fonte de proteínas com quase todos aminoácidos essenciais e com alto valor biológico. Possui minerais, como zinco, ferro e fósforo, e com quase todas as vitaminas principalmente as do complexo B, essenciais aos humanos.

Quanto à emissão de poluentes climáticos, ficou evidenciado cientificamente que o metano permanece na atmosfera somente por 10 a 12 anos. O rebanho mundial está estável. Esses dois fatos, configuram uma neutralidade na emissão de metano pelos bovinos. Aquilo que foi emitido no último ano, apenas está ocupando o espaço daquilo que foi emitido há 10 anos atrás.

Está na hora de mudarmos os nossos conceitos sobre a pecuária, principalmente agora que ficou cientificamente provado que não somos os vilões na emissão de gases de efeito estufa. É a remissão da carne!

Agora, temos que nos preparar para concretizar o compromisso assumido na COP 26 de reduzir em 30% as emissões de metano da pecuária. Já temos tecnologia para isto, algumas surpreendentes. Será o assunto do próximo artigo.

 

*ARNO SCHNEIDER é pecuarista.

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