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Artigo
18/06/2013 - 11:59:01
Autor: Pedro Simon
 
Uma tarefa para a compreensão democrática - praticamente espontânea

Um sentimento de revolta juvenil percorre o país. Manifestações que se iniciam com uma reivindicação objetiva de redução das tarifas de ônibus, transformam-se em mobilizações que arrastam milhares de jovens sob as mais diversas bandeiras. Mensagens que pedem educação e saúde de qualidade e bradam contra a corrupção e a impunidade, além de protestos contra o gasto excessivo na construção de estádios de futebol também animam uma juventude que muitos vinham considerando amorfa e sem interesse por questões da coletividade.

Até aqui, acompanhamos as ocupações de praças e prédios públicos na Europa e nos Estados Unidos, atos públicos de protesto em toda a parte, movimentos compostos em expressiva maioria por jovens desempregados, revelaram a face mais cruel da crise econômica mundial. Crise essa que jogou na incerteza uma geração acostumada ao bem-estar, amparada por políticas sociais inclusivas conquistadas um século atrás por lutas sociais mais duras do que as de hoje.

No Brasil do pleno emprego e da distribuição de renda, a juventude também experimenta a inquietação.

O que querem nossos jovens? Estudiosos se apressam em analisar as camadas mais profundas dessa inconformidade e da motivação em participar de atos de protesto que atemorizam as autoridades e provocam reação completamente desmedida da polícia.

A revolta é praticamente espontânea, convocada pelas redes sociais na internet. Os líderes são desconhecidos e estão fora da iniciativa os sindicatos e entidades estudantis tradicionais, setores que organizam historicamente as manifestações e atos reivindicatórios. Essa situação nova, que intriga e inquieta a sociedade é marcada por um sentimento de frustração política e existencial. Os jovens não confiam em seus representantes institucionais. É grande a distância entre o desejo das ruas e os debates conservadores no Parlamento, o que é decidido pelos governos ou o que é julgado nos tribunais. Apelos ao bom senso e justificativas para o alto preço do transporte coletivo não sensibilizam os manifestantes.

Existe um risco implícito na repressão violenta e indiscriminada e na condenação liminar dos protestos. Deles, podem surgir soluções para problemas antigos ou um caldo de cultura propício a aventuras radicais. A humanidade já viveu extremos indesejáveis, tempos que não quer repetir. Canalizar essa energia e entender os motivos mais profundos da rebeldia juvenil é tarefa para a inteligência e para a compreensão democrática. Não é assunto para a polícia.

 

*Pedro Simon é advogado, professor universitário e senador pelo RS.

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