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Artigo
17/01/2015 - 19:08:41
Autor: Ubiratan Braga
 
Não sou Charlie! Não estou defendendo assassinos, mas pensando além do modismo

A liberdade de expressão é um conceito fundamental nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral. Pois bem senhoras e senhores leigos ou não, Aristóteles costumava afirmar que todo e qualquer trabalho manual devia ser executado por escravos, de forma que os cidadãos pudessem dispor de seu tempo para as atividades políticas. Era correto isso? Ou "Arizão" era preconceituoso? Era um mundo só dos nobres? E quem sou eu para questionar o filósofo?

Pois bem 2, eu sou o cara que tenho a liberdade de dizer que sou contra essa avalanche de recusa aos muçulmanos. Assim como sou contra a imposição de que devemos ser Charlie’s. Sabe porque? Porque os atiradores tanto quanto os alvos tem suas vias de defesa. Se sou anti-Maomé, tenho o direito e a liberdade de contrariar-lhes. Como não sou bobo fico na minha. E se sou anti-Jesus também não tenho  o mesmo direito? Ora bolas, não é o que versa a nossa democrática Carta Magna!

Não estou defendendo os assassinos que dizimaram vidas em Paris. Estou  pensando além do modismo. Se eles mataram foi por reação ao que odeiam: os ataques a Maomé, o seu Deus. Sou jornalista e não defendendo a atitude dos colegas europeus do jornal Charlie Hebdo de confrontar Deus X Maomé. E se os muçulmanos atacassem com os mesmos efeitos ao Deus de Judá? Nesse caso os parisienses, provavelmente não teriam o espirito terrorista, mas teriam a mesma volumetria de revolta. E qual é a sua arma de defesa? Respondo: a comunicação chargista do jornal. E isso, observo, suscita o espirito preconceituoso de Aristóteles. Por isso sou contra, ora pois.

Na verdade acredito que o estado de espirito, por muitas vezes abalado, provocou a reação pré-mortis. O terrorista não sai por aí matando por matar. São treinados para reagir ao que consideram de perigoso a sua perpetuação. Eles defendem o que acham direito para sí. Já o jornal que surgiu, por via de regra, para ataques aos maometistas tem chorar com a reação suicida do inimigo. No jogo perdeu vidas. No propósito, a consagração popular, atingiu seu objetivo a julgar a impressão, a maior, de cinco milhões de exemplares das suas charges. Daí agregar a uma multidão que reagiu por conta do terrorismo e não do meio nefasto imposto pelo jornal é, no mínimo, amadorismo. Se houve censura prévia não terá a minha moral como escudo. E não admito ser representado por esse nicho de profissionais que nos batizaram de Charlie. E você?

 

*Ubiratan Braga é jornalista, radialista e publicitário em Cuiabá 

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