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Artigo
08/11/2015 - 10:58:08
Autor: Gabriel Novis Neves
 
As razões que levam muitas pessoas a morarem nas ruas nem sempre é a pobreza

Estudos sociológicos mostram que os moradores de rua acabam formando uma estética própria, cada vez mais mimetizada com os espaços por eles frequentados. 

Alguns - acobertados por transeuntes frequentes - até desenvolvem laços sociais com essas pessoas e são por elas agraciados com alimentação e outros pequenos mimos, para eles absolutamente fascinantes.

Em uma entrevista na TV vi um morador de rua em S. Paulo usando roupa de boa qualidade e um elegante cachecol. Mostrava o acessório com muito orgulho, presente de um dos seus protetores.

As razões que levam essas pessoas a morarem nas ruas nem sempre estão ligadas apenas à pobreza. 

É necessário que a sociedade civil se organize, já que o poder público tem se mostrado, como em todos os outros setores, absolutamente omisso.

Pelo total distanciamento da sociedade vão ficando cada vez mais vítimas de uso de drogas e perspectiva de doenças mentais.

Muitos deles, por desajustes familiares, se habituam a uma liberdade nunca antes experimentada, sem os ditames estabelecidos pelas leis sociais.

Na cidade do Rio de Janeiro estão sendo desenvolvidas políticas públicas em parceria com voluntários: assistentes sociais, médicos, psicólogos e antropólogos.

Eles trabalham no sentido de oferecer ao morador de rua um vínculo, uma possibilidade futura de cidadania. Isso é mais importante que fazer caridade.

Sessenta por cento deles não possui sequer documento de identidade, o que tem sido providenciado sem qualquer tipo de ônus. É tirar do progressivo suicídio pessoas que perderam totalmente a visibilidade.

A experiência parece que vem dando certo, pois alguns líderes desse movimento são ex-moradores de rua.

O processo, que começou no Rio, vem sendo copiado por outras cidades do Brasil com relativo sucesso.

É necessário que a sociedade civil se organize, já que o poder público tem se mostrado, como em todos os outros setores, absolutamente omisso.

 

*Gabriel Novis Neves é médico em Cuiabá e foi reitor da Universidade Federal de Mato Grosso

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