Com o objetivo de definir uma proposta política pedagógica que atenda às necessidades da etnia e a metodologia a ser aplicada, lideranças indígenas começam os preparativos para o Fórum Regional de Política Pública para Educação Escolar Xavante em Mato Grosso, no âmbito do Território Etnoeducacional A’ uwê Uptabi. O evento ocorre na primeira quinzena de agosto na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus de Barra do Garças, e pretende reunir cerca de 300 participantes.
Com emissão de certificados, a programação será destinada a professores e lideranças das Terras Indígenas (TI) Xavante de São Marcos, Sangradouro, Pimentel Barbosa, Areões Parabubure, Marãiwatsédé, Marechal Rondon e Areões. Além de instituições parceiras como a Fundação Nacional do Índio (Funai), Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Xavante, Centro de Formação e Atualização de Professores (Cefapro) de Barra do Garças, UFMT e Secretaria Estadual de Educação, Esporte e Lazer (Seduc).
“É uma orientação dos Conselhos de Educação Escolar Indígena (Ceei) a necessidade de elaborar as diretrizes da Política de Educação Escolar Indígena para Mato Grosso, de forma participativa dos povos indígenas e dos profissionais de educação envolvidos. Isso vai ocorrer com todos os polos de território étnico racial”, destaca o secretário adjunto de Política Educacional da Seduc, Gilberto Fraga de Melo.
No caso dos Xavantes a alegação, que se assemelha às dos demais povos, é que a etnia não consegue associar o calendário escolar proposto pelo estado aos ritos e cultura próprios e que, dessa forma, falta tempo para o ensino/aprendizagem e disseminação dos costumes tradicionais. “Nossa maior dificuldade é o currículo escolar. Queremos definir um que seja próprio para o nosso povo. Temos índios com formação, capacitados para ensinar, mas nossos xavantes não estão conseguindo ser formados na nossa cultura porque o calendário definido para as escolas atrapalha a realização dos nossos hábitos”, avalia o representante indígena Xisto Xavante, que também é professor da rede.
De acordo com ele, o Xavante tem um ritual a ser seguido desde criança que se perpetua por diversas fases da vida, mas que de algum modo está sofrendo com a interferência da escola que tem que frequentar. “Queremos que seja feita a junção, respeitando um cronograma próprio, que venha ao encontro das nossas necessidades e nossa tradição”, frisa.
Xisto cita ainda a existência de legislação federal que garante esses direitos, portanto, defende que as diretrizes curriculares sigam os parâmetros desta legislação, que trata das especificidades de cada etnia. Entre elas, prevê o acesso a outras culturas e ensino bilíngue, mas dentro de uma programação diferenciada. “Queremos que nossos conhecimentos tradicionais sejam cada vez mais respeitados e valorizados”, enfatiza o professor.
Autor: AMZ Noticias com Eliana Bess