A direção do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), em Cuiabá, alerta a população sobre um golpe aplicado a familiares de pacientes internados na unidade hospitalar. Três famílias denunciaram que receberam ligações pedindo para que fosse feito um depósito, no valor de R$ 1.500,00, para pagar as despesas relacionadas a medicamentos e exames, procedimentos totalmente custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das vitimas acabou caindo no golpe e fazendo o pagamento.
O superintendente do HUJM, Francisco Dutra Souto, informou que os golpistas ligam para os familiares passando-se por funcionários do hospital. As ligações estariam sendo feitas de dentro de presídios. “Queremos ressaltar com bastante ênfase que este é um hospital público que atende 100% SUS e não cobra por nenhum dos seus serviços ou atos. Nada é cobrado. Se qualquer pessoa for abordada por telefone ou mesmo pessoalmente na tentativa de cobrança, por favor, procure a direção do hospital ou a ouvidoria para fazer queixa porque essa cobrança é irregular”, orientou.
Por conta disso, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que administra o hospital, lançou a campanha “Não deixem que roubem a Saúde”. Além do registro de boletim de ocorrência (BO), a empresa também tem feito um trabalho junto aos usuários, assim que dão entrada na unidade, alertando-os sobre a prática criminosa para tentar evitar novos golpes.
Segundo a chefe de Divisão de Gestão do Cuidado, Maria de Fátima Ferreira, para tentar convencer as suas vítimas os golpistas dizem que o valor vai ser restituído por se tratar do SUS. “Então, mesmo que eles usem essa argumentação não existe uma cobrança para uma posterior restituição. Eles cobram para agilizar a realização de exames ou aquisição de medicamentos e que depois o valor será reembolsado. Essa conversa tem sido utilizada pela menos em um dos golpes aplicado. A gente quer deixar claro que isso não é verdadeiro. Nunca é feita essa cobrança”, reforçou.
Familiares da professora-doutora da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Joseli Lins, foram uma das vítimas. Com um primo internado na UTI do HUJM devido a uma cirurgia, parentes da doutora receberam ao menos três ligações dos criminosos.
“A filha dele o estava visitando e, em casa, a família recebeu a ligação do golpista se passando por um médico, informando que ele (paciente) precisava fazer um exame referente à leucemia e que precisava ser feito com urgência. Para isso, era necessário que fosse depositado o valor de R$ 1.500 no mesmo dia”, comentou.
Conforme Lins, os criminosos passaram três contas bancárias com nomes distintos. “Quando me avisaram, eu disse que o SUS não cobra nada e que era para eles tentarem pegar o máximo de dados possível desse pessoal que estava ligando porque era golpe”, disse. “Inclusive, eles (criminosos) disseram que era ‘o plano SUS’ e que seria feito o ressarcimento desse valor”, comentou. “O plano SUS a gente sabe que não existe. E, no dia seguinte, como a família não pagou, eles ligaram novamente passando mais um número de conta”, acrescentou.
A família de Lins gravou as conversas, que foram repassadas à diretoria do HUJM. “Nesse mesmo dia, outra família foi abordada pelos golpistas e, infelizmente, eles acabaram pagando R$ 1.500,00 para a quadrilha”, destacou.
Conforme a doutora, um dos filhos do seu primo é policial civil e a informação que receberam é que a ligação feita pela quadrilha teria partido de dentro de presídios. “E eles ligam aqui como se fossem da central de regulação. Eles sabem como funciona o sistema”, disse lembrando que as escalas dos profissionais são públicas.
A diretoria do hospital não descarta a possibilidade de participação de funcionários. “Mas, existe a possibilidade dos nossos servidores também estarem sofrendo a fraude ao serem abordados por pessoas que possam estar se passando por funcionários de outros órgãos do SUS pedindo detalhes de pacientes para regularizar alguma situação administrativa”, frisou Couto.
Autor: Joanice de Deus com DiariodeCuiaba