Quinta-Feira, 16 de Abril de 2026

Quase 90% dos entulhos de Cuiabá são despejados de forma criminosa




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Quase 90% dos resíduos da construção civil são despejados de forma criminosa, às margens de rodovias, beiras de córregos e terrenos baldios. O levantamento é da empresa Eco Ambiental, responsável pelo recebimento dos resíduos da construção civil em Cuiabá. Ela aponta que, por dia, em média 200 caçambas cheias de resíduos de construção são produzidas em Cuiabá.

Desse total, apenas 8,5%, ou seja, uma média de 17 caçambas, chegam à usina de triagem da Capital. O local é adequado e destinado pela legislação como fim correto para este tipo de material. A situação da destinação dos resíduos da construção civil é alarmante, segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia.

Em 2004, uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente proibiu as prefeituras de receberem resíduos da construção civil. Em Cuiabá, foi designada uma empresa para exclusivamente receber estes resíduos, a Eco Ambiental.

Segundo a empresa, a usina de triagem pode receber os resíduos tanto do pequeno, quanto do médio ou grande construtores. Dos 250 mil metros cúbicos deste lixo produzidos diariamente, a empresa afirma que recebe apenas 500 metros cúbicos.

O grande problema, segundo a Eco Ambiental, é que as pessoas acabam contratando caçambas para recolher o entulho e nem querem saber que fim será dado àquele material. Ele afirma que as pessoas nem sempre estão dispostas a pagar os custos para um meio ambiente melhor. No aterro, por sua vez, os trabalhadores fazem a triagem dos resíduos. Plásticos, papéis, metais, etc, são separados e encaminhados às empresas de reciclagem.

Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), o conselho trabalha na fiscalização da destinação dos resíduos da construção civil. O CREA ressalta que depositar este tipo de lixo em terreno baldio, nos lixos domésticos e até mesmo em outros bairros, como é feito na maioria das vezes, é proibido. Se acontece a destinação incorreta deste resíduo, evidentemente é porque não há a presença de um profissional na obra.

O CREA confirmou que, antes, em caso de destinação incorreta, a empresa era autuada a corrigir os erros. No entanto, observada a alta de reincidência das construtoras ou de cidadãos, foi estipulada multa e não mais autuação.

A engenheira Scheila Mesquita, do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), lembrou que, desde a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, já era determinado que os municípios apresentassem um plano de resíduos. “O dono da construtora é o grande gerador de resíduos e ele é responsável por destinar em local adequado. O descarte é feito por transportador habilitado. Em Cuiabá, só existe a Eco Ambiental que opera desde 2005”, diz.

O presidente da Associação dos Transportadores de Resíduos Sólidos, Adir Arantes, afirma que a situação real é que os resíduos de fato estão sendo destinados de forma irregular e não criminosa. Ele afirma que a empresa Eco Ambiental não tem estrutura suficiente para recebimento. Apenas 25% do material são deixados na empresa – e 75% são destinados irregularmente, devido à falta de licença da empresa.

A Eco Ambiental estaria apenas recebendo resíduos de classe A, que são os materiais de demolição. Madeira, telhas, latas de tinta não estão sendo recebidos.

“A situação é caótica. Já acionamos o Ministério Público do Estado, que inclusive propôs um Termo de Ajustamento de Conduta com a Prefeitura de Cuiabá para destinação de um novo local, o que até hoje não aconteceu”, afirmou Adir Arantes. 


Autor: Aline Almeida com Diário de Cuiaba


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