Menos de 24 horas depois de o Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Penitenciário de Mato Grosso (Sindspen-MT) alertar para o risco de rebeliões dos reeducandos devido aos efeitos da greve pelo não-pagamento por parte do governo da Revisão Geral Anual (RGA), cinco pastores-detentos do Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC, antigo presídio do Carumbé) foram mantidos reféns durante a manhã desta quarta-feira (8), em um princípio de motim.
Os agressores aproveitaram-se do fato de o efetivo de agentes estar limitado a 30% para atacar -- com chuços (facas artesanais feitas a partir de qualquer material duro que eles conseguem apontar) -- seus colegas da ala evangélica do CRC. Entretanto, os profissionais de segurança pública conseguiram contornar o problema, retomar o controle da situação e libertar os reféns em menos de 40 minutos.
A ação foi facilitada também pelo fato de os pastores-detentos terem privilégios vetados aos demais, como livre acesso a todas as alas do CRC, para a realização de cultos, pregações e estudos bíblicos. Eles foram rendidos por outros reeducandos logo no princípio da manhã, durante as primeiras orações do dia. O resultado do enfrentamento foi a apreensão de cinco chuços e um telefone celular, todo material proibido estava em poder dos agressores. Todos os envolvidos agora vão responder a novo inquérito criminal.
IMPASSE DO RGA -- Assim como a grande maioria do funcionalismo público mato-grossense, o Sindispen coordena um movimento de paralisação da maior parte de suas atividades -- não estão sendo realizados, por exemplo, visitas de familiares e advogados de defesa; os banhos de sol estão limitados, assim como várias atividades cotidianas do sistema carcerário -- como maneira de pressionar o governo de Mato Grosso a pagar o Reajuste Geral Anual (RGA), de 11,28%.
É a segunda vez, em menos de 48 horas, que há problemas envolvendo o sistema ressocialização controlado pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), pois na segunda-feira (06), um menor fez outro refém dentro do Complexo do Pomeri, destinado à reeducação de menores infratores. Ele também se utilizou de um chuço para ameaçar um colega e exigir melhorias na alimentação e nas condições de vida dentro do Pomeri. Foi demovido de seu intento contra o refém pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar.
O governo propõe pagar somente seis por cento do RGA e parcelado em três vezes.
Autor: RodivaldoRibeiro - DiariodeCuiaba