Em recente audiência pública na Assembleia Legislativa, professores do Sintep (Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público) de Mato Grosso aproveitaram o debate que deveria ser norteado pelas propostas salariais e qualidade do ensino para utilizar a tribuna e defender a presidente da República afastada Dilma Rousseff (PT) e ainda alertar para a existência de um golpe político em curso no Brasil.
O que me surpreendeu foi a fala de uma professora que acusou o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) de conduzir um governo ilegítimo e alegar que uma mulher honesta e eleita legitimamente com 54 milhões de votos estava sendo afastada da presidência da República por não interferir no poder de investigação da Policia Federal.
É inacreditável que um professor da rede pública devidamente aprovado em concurso público e responsável em transmitir conhecimentos a jovens estudantes consiga falar tantas bobagens.
A declaração poderia ser perfeitamente aceitável pela militância do Partido dos Trabalhadores (PT) ou de partidos de esquerda que carregam a característica da voz rouca e de visão cega, fanática e intransigente aos seus valores capazes de distorcer a realidade para gerar uma interpretação favorável às suas crenças, mas, jamais por um profissional deste quilate.
Embora o exercício dos direitos políticos e a liberdade de expressão e pensamento sejam direitos assegurados pela Constituição Federal, se espera daqueles que tem a missão de oferecer a aprendizagem a imparcialidade e bom senso, valores inerentes a qualquer profissão cujas decisões tenham reflexo na coletividade.
Afirmar que Michel Temer, vice-presidente eleito com 54 milhões de votos e diplomado pela Justiça Eleitoral não tem legitimidade de assumir a Presidência da República é, no mínimo, agir com negligência ou má-fé.
Da mesma forma que dizer a uma plateia que Dilma Rousseff uma presidente eleita com 54 milhões de votos é honesta o bastante para ser impedida de sofrer um processo de impeachment que é a destituição do chefe do Executivo assegurada pela Constituição Federal por crime de responsabilidade que é resultado da incompetência, negligência ou má-fé.
Como atestar a honestidade de uma presidente da República cujas provas mais do que robustas indicam que dinheiro público roubado de estatais lhe permitiu a ascensão ao poder e uma governabilidade fajuta?
É ainda mais inaceitável que uma professora rejeite o mínimo de pesquisa e assemelhe Dilma Rousseff a democracia.
A petista pertencia a VAR – Palmares, um grupo de guerrilha armada que sonhava e tomar o poder pela luta armada e derrubar o regime dos militares não para implantar a democracia, mas a ditadura do proletariado.
Como bem narrou o Estadão em um recente editorial “Dilma pegou mesmo em armas na tentativa lunática de substituir o regime direitista por outra ditadura, só que de esquerda. Mas com o mesmo ódio mortal do regime oponente por quaisquer arroubos de dissidência, por mais tênues que fossem. A aventura irresponsável dos jovens de extrema esquerda de sua geração podia ter objetivos generosos”.
E com extrema precisão completou: “mas os ideais comunistas foram conspurcados por tiranos de truculência similar à de seus inimigos (nem sempre) da direita. Stalin, Pol Pot, Mao Tsé-tung e Fidel Castro nunca em nada ficaram a dever a Hitler, Mussolini, Franco ou aos militares, ditos gorilas, latino-americanos. Essa saga é mentirosa, como as promessas que ela (Dilma) fez na eleição de 2014”.
Será que essa mesma professora que usou a tribuna para defender Dilma e alertar para um golpe político é capaz de discutir abertamente o impacto da corrupção na Petrobrás que conforme a Operação Lava Jato da Polícia Federal gerou prejuízo de até R$ 88 bilhões de reais aos cofres públicos, dinheiro este que falta para ser investido na educação, saúde e segurança pública que são atribuições do Estado?
Será que essa mesma professora é capaz de acreditar que corrupção, independente de conotação partidária, mata o futuro e presente de milhões de brasileiros?
Infelizmente, todos aqueles que se manifestaram com discursos eloquentes em defesa de Dilma e do PT estão mais inclinados para doutrinadores da esquerda do que necessariamente professores capazes de ministrar aulas com imparcialidade e qualidade.
São aqueles capazes de ministrar uma aula vestidos com camisa de Che Guevara sem falar das mortes patrocinadas pelo mesmo bem como exaltar Fidel Castro como símbolo da justiça social sem citar as mortes ordenadas aos seus opositores e a falta de liberdade de expressão, pensamento e artística em Cuba.
Fui estudante da rede pública em Mato Grosso. Conclui meus estudos na Escola Presidente Médici. Se na década de 90 era uma referência na qualidade de ensino em Mato Grosso, a minha estadia que durou do primário a conclusão do ensino médio me permitiu ser testemunha do sucateamento do ensino público refletido em conteúdos poucos exigentes e a maioria dispensáveis, por exemplo, para aprovação numa universidade pública.
Além deste notório sucateamento, me preocupa essa doutrinação política conduzida por professores, o que impede uma visão mais ampla dos fatos pelos seus alunos. E isto, infelizmente, se expande ao ensino superior.
Em uma discussão na postagem de uma amiga no Facebook, um professor da Faculdade de Comunicação Social Jornalismo da UFMT escreveu que o juiz federal do Paraná, Sérgio Moro, age a favor da CIA (serviço de inteligência) dos Estados Unidos para sucatear a Petrobrás e favorecer sua privatização. O mesmo professor ainda disse que o magistrado paranaense foi escolhido pelas elites para destruir a carreira política do ex-presidente Lula.
Eu apenas disse que um juiz não tem o poder de direcionar uma investigação da Polícia Federal, mas apenas de, se receber uma denúncia, requisitar a investigação sob pena de prevaricação pois é servidor público.
Foi o suficiente para o doutor, pois assim posso me referir pois de fato o professor tem doutorado e neste caso o "d" minúsculo deve prevalecer pela autoria do pensamento absurdo, me chamar de imbecil, idiota e débil mental.
Apenas ignorei as ofensas, pois tenho conhecimento de que esse mesmo professor doou um salário obtido no serviço público ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para contribuir com a “vaquinha petista” para pagar uma multa imposta pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em decorrência do processo do mensalão. Dirceu, como se sabe, foi preso meses depois e recolheu mais de R$ 30 milhões em propinas conforme revelado pela Operação Lava Jato.
É necessário questionar: estamos com o futuro de estudantes e universitários sendo conduzidos por professores ou doutrinadores?
Em minha avaliação, impera a segunda classificação contribuindo para uma formação precária em parte devido aos doutrinadores transmitir apenas conhecimentos e visões de mundo que lhe são convenientes politicamente, o que favorece não a formação de cidadãos críticos e pensadores, mas de militantes.
*Rafael Costa é jornalista em Mato Grosso
Autor: Rafael Costa