Sindicalistas que comandam a greve dos servidores criticaram a base do Governo e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), na condução da votação do projeto do Executivo estabelecendo a Revisão Geral Anual (RGA) de 6%, durante sessão na noite de quarta-feira (22).
A presidente do Sindicato dos Servidores do Detran (Sinetran), Daiane Renner, afirmou que “a base do Governo fez de tudo para passar o projeto goela a baixo”.
“Na verdade, houve um atropelo total da votação, foi visível que foram contabilizados votos que não estavam presentes no momento da sessão”, disse.
A sindicalista revelou que o Fórum Sindical – que representa o funcionalismo público de Mato Grosso - estuda questionar judicialmente a votação.
“A deputada Janaina Riva já pediu as imagens do plenário e vamos estar junto com ela para anular essa votação”, afirmou.
Contagem de votos
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e Meio Ambiente (Sisma-MT), Oscarlino Alves, afirmou que Maluf errou na contagem dos votos. Segundo ele, houve 11 votos contra e 10 a favor na primeira votação.
“O deputado Baiano Filho não estava no plenário. Votaram por ele, porque o deputado Guilherme Maluf considerou que o voto dele foi a favor do Governo e não foi. Ele não declarou o voto”, disse Oscarlino.
Para o sindicalista, o Governo está “atropelando” a Assembleia para passar a qualquer custo a mensagem.
“O governador quer pagar a RGA do jeito que ele acha que é conveniente. O Estado está querendo economizar a custa e direito do trabalhador, e isso a gente não aceita”, afirmou.
O projeto de lei foi aprovado em primeira votação. Na segunda, o deputado estadual Zeca Viana (PDT) pediu vistas.
A mensagem deverá voltar ao plenário na próxima terça-feira (28), já que foi decretado ponto facultativo em órgãos públicos de Mato Grosso nesta quinta-feira (23) por causa da passagem da tocha olímpica.
Radicalização do movimento
Em greve desde o dia 31 de maio, os servidores protestam contra o não pagamento da Revisão Geral Anual (RGA), de 11,27%.
Os profissionais, prometem radicalizar o movimento a partir de hoje, tendo em vista que o Estado recusou a a proposta, negociada entre Assembleia Legislativa e Fórum Sindical, prevendo o pagamento de 10,21% da RGA.
“O caminho agora é esse:fortalecer a greve, fortalecer mobilização,até porque nós não estamos dispostos a recuar nessa pauta. O Governo tem que voltar atrás na posição. A RGA é um direito garantido, conquistado na Constituição Federal, e o Governo não tem direito de patolar ou negociar esse direito”, disse Daiane Renner.
Autor: Thaiza Assunção com Midia News