Durante a reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), realizada na terça-feira, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou, em tom de ameaça, que o processo contra ele é político e que, por uma acusação contra ele ter virado uma "sentença transitada em julgado", nenhum dos 117 deputados investigados deve escapar da cassação. Após quase cinco horas de sessão, a comissão teve que encerrar os trabalhos por conta da abertura da ordem do dia. Nova sessão foi marcada para a manhã de quarta-feira.
O deputado afastado disse ainda que mais de 20% dos deputados respondem a processos judiciais, todos de natureza penal, e que já estariam todos cassados, se fosse seguida a lógica usada em seu caso. Ele disse que os deputados investigados não vão sobreviver e devem ser cassados:
— A palavra do órgão acusador virou sentença transitada em julgado, é um processo político. Então garanto que nenhum dos 117 deputados e 30 senadores investigados sobreviverá nessa Casa e deverão ser todos cassados - disse o peemedebista.
No início de sua fala, Cunha disse que, ao ser eleito para presidente da Casa, derrotando o candidato do PT e da oposição, já desagradou aos seus pares e que os incomodou ainda mais ao pautar temas considerados polêmicos, como a terceirização e a redução da maioridade penal.
Cunha afirmou que nunca negou a existência da conta em nome de sua mulher, Cláudia Cruz, também ré no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele ressaltou que seus familiares não são parlamentares:
— Nunca neguei a conta da minha esposa, ninguém nunca negou. A conta da minha esposa não é offshore, não é empresa e não é trust, é conta de pessoa física no nome dela.
Cunha criticou a ação cautelar do STF que o afastou do mandato e do cargo de presidente da Câmara. Além de dizer que a situação não tinha previsão regimental e foi uma interferência do Judiciário no Legislativo, ele apelou aos deputados ao dizer que isso, que chamou de abuso, "pode acontecer com qualquer um amanhã".
— Isso é uma afronta à independência dos poderes, isso pode acontecer com qualquer um amanhã. Sempre pensei que aquilo que é absurdo feito contra um parlamentar amanhã pode ser um absurdo cometido contra mim também, e jamais concordei com isso — disse.
Ao discorrer sobre os passos do processo no Conselho de Ética, o peemedebista disse que houve "má-fé" do presidente José Carlos Araújo, que cancelou uma sessão de votação no Conselho por acreditar que não teria número para derrotar Cunha naquele dia. Depois do ocorrido, disse à imprensa que tinha feito "uma manobra do bem".
Autor: Redação AMZ Noticias