Sem controle, os camelôs se multiplicam e agem livremente pelas calçadas de vias de maior movimento da área central de Cuiabá. Ilegais, eles desrespeitam a legislação municipal, atrapalham a mobilidade urbana, favorecem a ocorrência de furtos e desafiam as autoridades públicas, que se omitem diante de suas obrigações administrativas. Já os comerciantes e pedestres enfrentam os prejuízos e transtornos intensificados pelos vendedores de chips das operadoras telefônicas.
Ontem pela manhã, nossa reportagem contabilizou 60 pontos ocupados por ambulantes no trecho entre as Avenidas Getúlio Vargas e a Generoso Ponce, passando pela Rua 13 de Junho e a Praça Ipiranga. Em matéria divulgada em junho passado intitulada “Camelôs voltam ao centro de Cuiabá”, o DIÁRIO mostrou que, à época, cerca de 10 ambulantes estavam atuando na região.
De lá para cá, eles proliferaram. Estrategicamente, os ambulantes expõem suas mercadorias em frente ou nas proximidades de grandes lojas de confecções e sapatos. Porém, tudo de forma improvisada sobre caixas de papelão, caixotes de madeira ou lonas estendidas no chão obstruindo a passagem.
Na esquina da Rua Generoso Ponce com a Tenente Coronel Duarte, um deles chegou a estender até mesmo um varal, entre o semáforo e o poste de energia elétrica para exposição de meias-calças para o inverno. Em toda a região, não havia um fiscal da Prefeitura Municipal.
A reportagem tentou falar com alguns dos vendedores, que se mostraram irritados, dizendo que não estavam fazendo nada de errado e que estão trabalhando para sustentar a família. Sobre o lixo, também chegaram a dizer que o que é descartado no chão é de pessoas que passam pelo local.
Quem circula pelo Centro Histórico da cidade sabe que está bem mais complicado caminhar pelas estreitas calçadas. “A situação não está fácil para ninguém, mas é necessário dar uma organizada para não atrapalhar a passagem das pessoas e não dificultar o acesso para outras lojas também”, comentou o soldador Rogério Aguiar, 46 anos.
Opinião semelhante tem a funcionária pública Helena Martins, 29. “É o trabalho deles. Todos têm que pagar conta. Mas, está bastante tumultuado e quase que inacessível para as pessoas. Agora, imagine para quem é deficiente”, disse. “A prefeitura deveria arrumar um espaço apropriados para eles”, acrescentou.
HOSTILIDADE – Já os gerentes de diferentes estabelecimentos comerciais localizados na região não pouparam críticas contra os camelôs e também contra os vendedores de chips das operadoras telefônicas. “Os camelôs escolhem um local e ficam. Já os vendedores de chips ficam na porta, atrapalham a passagem e, quando a gente tenta conversar, eles xingam, dizem que a gente não é dono da calçada ou da rua”, relatou o gerente Rosenildo Prado.
Prado afirma que há 15 dias acionou a Secretaria Municipal de Ordem Pública para que tomasse alguma providência, mas até então nada havia sido feito. “Nem fiscalizando estão”, lamentou.
A gerente de uma loja de confecção, que preferiu não se identificar, também reclamou da situação. “No geral, eles largam lixo, sacolas e papelão em qualquer parte, sem falar que deixa a cidade visualmente menos bonita. A forma como agem também é agressiva, obstruem a porta e chegam a avançar nas pessoas”, disse. “Dia desses ouvi clientes da loja comentarem que não gostavam de vir para o centro por causa deles (ambulantes) e que preferiam ir para os shoppings”, contou.
Autor: JoanicedeDeus com Diario de Cuiaba