As criaturas do jogo “Pokémon Go” invadiram cidades de todo o mundo e são procuradas por milhares de “caçadores” que tentam capturá-las. Em Cuiabá, o fenômeno mundial atrai diversos fãs, que se reúnem em variados pontos para procurar, no mundo real, os animais que outrora se restringiam à dimensão virtual.
Charmander, Bulbasaur, Pikachu e outros seres que fazem parte do game podem ser encontrados em diversas regiões de Mato Grosso desde 3 de agosto, data em que o jogo foi lançado no Brasil. Para encontrar os bichos virtuais, o caçador deve buscá-los por diversas regiões.
Durante a procura dos jogadores, o celular apita e surge a informação: há pokémons nas proximidades. Pela câmera do celular, há a possibilidade de o jogador ver o bicho virtual vivendo em uma realidade aumentada. A partir de então, inicia-se a busca para capturá-los.
Parques como o Tia Nair e o Mãe Bonifácia, assim como blocos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e praças da Capital, são lugares onde diversos jogadores costumam ir para procurar por pokébolas e bichos virtuais, ou para realizar duelos entre as criaturas.
Casos de polícia
Apesar da diversão proporcionada pelo “Pokémon Go”, houve circunstâncias em que o jogo tornou-se caso de polícia. Uma dessas situações aconteceu na tarde de 5 de agosto, quando um adolescente de 17 anos teve o celular roubado no bairro Boa Esperança, em Cuiabá, enquanto tentava chocar um ovo de pokémon.
De acordo com a mãe do jovem, a mestre em linguística Helany Morbin, o filho havia saído de casa para comprar refrigerante. Um amigo, que mora ao lado da casa do adolescente, teria entregado seu celular ao jovem e pedido que, durante o trajeto ao supermercado, ele tentasse conseguir quilômetros suficientes para chocar um ovo que havia capturado.
“O meu filho ainda estava conhecendo o jogo, porque tinha sido lançado há poucos dias. Durante o caminho para comprar o refrigerante, ele ficou prestando atenção no celular e se distraiu”, explica.
Segundo Helany, no momento em que o adolescente passou em frente a um terreno baldio, dois rapazes o abordaram.
“Eles anunciaram o assalto, levaram o celular, que era do amigo do meu filho, e foram embora andando. Meu filho não soube dizer se eles estavam armados”, relata.
O adolescente voltou para casa assustado e contou sobre o crime ao amigo, à mãe e também chegou a fazer uma publicação em seu Facebook sobre o caso. O jovem optou por não registrar boletim de ocorrência sobre o roubo.
Para a mãe do adolescente, o “Pokémon Go” é um aplicativo que deve ser utilizado com parcimônia e os jogadores devem estar atentos ao seu redor.
“Acho que a tecnologia traz contrastes, porque há o avanço da modernidade e também acontece o aumento da alienação”, argumenta.
Outro caso policial envolvendo o "Pokémon Go" aconteceu na madrugada de terça-feira (8). Dois jovens estavam caçando pokémons em frente a uma delegacia da Polícia Civil, no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá, e foram alvos de truculência de dois policiais. Um vídeo que mostra a abordagem sofrida pelos jovens viralizou nas redes sociais. Nas imagens, eles são obrigados a se deitar no chão e, em seguida, são revistados.
No vídeo, os dois são repreendidos pelos policiais. "O que estão fazendo correndo na frente da delegacia a uma hora da madrugada?", questiona um policial. "Catando Pokémon? Vai tomar no seu c..., seu F.D.P. Tem medo de morrer, não?".
Os pais dos jovens registraram um boletim de ocorrência sobre o caso. O coletivo LGBT Manicongo se pronunciou sobre a situação e repudiou a atitude dos policiais. A organização questionou a abordagem e os termos utilizados durante a ação.
"Esse episódio nos traz uma série de questionamentos: É crime andar na rua? É crime jogar Pokémon Go? E violar Direitos Humanos, não? Será que jogar Pokémon Go é uma prática "afeminada", e que homem de verdade é aquele que fala grosso, ofende, humilha e violenta? O que tem a ver a sexualidade das pessoas na hora das abordagens (afinal, sequer temos acesso à sexualidade dos garotos abordados)?", diz trecho da nota do coletivo.
Na sexta-feira (12), o corregedor auxiliar da Polícia Civil, delegado Geraldo Magela, afirmou que houve transgressão disciplinar na ação dos dois policiais civis que aparecem no vídeo.
Por meio da assessoria de imprensa, Magela informou que deve abrir uma sindicância para investigar a conduta dos policiais. Eles foram identificados e serão autuados para prestar esclarecimento sobre o caso.
Medidas de segurança
A segurança dos caçadores de pokémons foi tema de um comunicado divulgado pela Polícia Militar de Mato Grosso na última quarta-feira (10). A PM alertou sobre riscos de roubos, invasão a propriedades privadas e acidentes durante buscas pelos animais virtuais.
Na postagem de alerta, os jogadores foram orientados a não perder a atenção com o jogo, pois "os criminosos preferem vítimas distraídas".
A Polícia Militar ainda aconselhou os jogadores a não entrar em todos os locais onde possam estar os monstrinhos, para evitar riscos de invasão a propriedades privadas ou ser atraídos por criminosos.
Apesar das orientações de segurança, a publicitária Viviane Brito acredita que o “Pokémon Go” não aumenta os riscos de crimes. “O perigo de andar na rua é inevitável, visto a quantidade de assaltos que acontecem. Se você estiver jogando ‘Pokémon Go’ ou usando o Whatsapp, os riscos são os mesmos”, afirma.
Autor: Vinicius Lemos com Mídia News