O ex-secretário de Estado Pedro Nadaf vai prestar um novo depoimento à juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda. Desta vez, será no dia 29 deste mês na ação penal relativa a segunda e terceira fase da Operação Sodoma da Polícia Civil.
A expectativa é que Nadaf venha novamente a contribuir com a Justiça por meio de revelações de esquemas de corrupção que vigoraram na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Em depoimento na última segunda-feira (15), o ex-secretário admitiu cobrança de propina as empresas que mantinham contratos com o governo do Estado para quitar dívidas de campanha eleitoral e também favorecer o enriquecimento ilícito dos envolvidos.
No meio jurídico, a decisão de Nadaf em detalhar a Justiça a montagem dos esquemas de corrupção é vista como uma estratégia para reduzir a pena em uma eventual condenação dada como certa diante do volume de provas produzidas pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual (MPE).
Também no dia 29, o ex-deputado estadual José Riva (sem partido) vai prestar esclarecimentos . Durante as investigações da Polícia Civil, se descobriu que o ex-governador Silval Barbosa quitou uma dívida de R$ 2 milhões com Riva de dinheiro oriundo de propina arrecadado junto a empresa Consignum, de propriedade do empresário Willians Mischur.
Em depoimento à Justiça, Mischur confessou que pagava propina de até R$ 700 mil para manter em vigência o contrato de sua empresa com o governo do Estado.
No dia 30 de agosto, será a vez do ex-deputado estadual e prefeito cassado de Várzea Grande, Walace Guimarães (PMDB) prestar depoimento. A denúncia criminal narra que o peemedebista ofereceu R$ 1 milhão, em 2012, ao então secretário de Administração, César Zílio, para o governo do Estado pagar valores a gráficas – por serviços inexistentes ou incompletos – com o intuito de levantar dinheiro para pagar custos de sua campanha a prefeito de Várzea Grande.
Entre as gráficas estavam as de propriedade dos empresários Antonio Roni de Luz e Evandro Gustavo Pontes da Silva, igualmente denunciados. No total, são 17 réus na ação penal pelos crimes de lavagem de dinheiro, concussão, extorsão, tentativa de fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, fraude processual e organização criminosa.
No dia 30 de agosto, às 13h30, será a vez de prestar depoimento o ex-secretário adjunto de Administração, José Nunes Cordeiro, e o bacharel de Direito, Tiago Vieira de Souza Dorileo. No dia 31 será a vez da ex-funcionária da Fecomércio (Federação do Comércio), Karla Cintra, que auxiliava diretamente o ex-secretário Pedro Nadaf, a prestar depoimento.
De acordo com a denúncia criminal assinada pela promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco, a organização criminosa atuava em diversas ramificações e obedecendo graus hierárquicos.
Silval Barbosa é apontado como o líder da organização, "responsável por articular e coordenar as ações dos demais integrantes". O grupo criminoso atuaria exigindo pagamento de propina para conceder incentivos fiscais e para manter contratos de empresas com o Governo do Estado.
Na divisão secundária figuram os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf, Marcel de Cursi, Cezar Zílio e Pedro Elias Domingos; o ex-secretário adjunto de Administração, coronel José Jesus Nunes Cordeiro; o ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio Cézar Correa Araújo; o ex-procurador do Estado Chico Lima; a ex-secretária de Nadaf na Fecomércio, Karla Cintra; e o filho de Silval, o médico e empresário Rodrigo Barbosa. “Os indícios apontam que a organização criminosa atuou de forma perene durante toda a gestão de Silval Barbosa, provocando prejuízo a toda a população mato-grossense, que até hoje arca com as consequências das ações criminosas de seus membros, frente ao sucateamento da máquina administrativa, ausência de investimento em infraestrutura, na saúde, segurança e educação pública, etc”, diz trecho da denúncia.
Autor: Redação AMZ Noticias