Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Cuiabá vive crise na saúde onde faltam médicos e sobram cores




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A Secretaria de Saúde de Cuiabá (SMS) anunciou a implantação de novos critérios para o atendimento aos pacientes que buscam as unidades de pronto atendimento (UPA), localizadas na cidade. A intenção é otimizar e tornar mais ágil à assistência médica prestada aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, as cores roxa e preta passaram a fazer parte do chamado “protocolo de acolhimento por classificação de risco” adotado na capital.

Mas, para quem está doente ou acompanha quem está na fila de espera por um acolhimento médico, a medida é apenas paliativa.

“Nem sabia disso. Inserir uma ou outra cor não vai mudar em nada. Eu vim aqui (ante)ontem e colocaram a pulseira amarela na minha filha, que está ruim, com febre alta e gemendo de dor. Ela fez exame de sangue e tivemos que retornar hoje (ontem), mas nem a pulseira (de classificação de risco) colocaram nela e estamos aguardando há quase uma hora para sermos atendidas”, criticou a auxiliar financeira Leidiane Aparecida da Silva.

Com a filha de um ano e quatro meses no colo, Leidiane lamentava a demora no atendimento realizado pela UPA localizada na Morada do Ouro. Enquanto isso, uma funcionária tentava explicar a todas as pessoas que estavam na sala de recepção, que estava lotada, os critérios de atendimento – e pedia paciência.

Porém, a auxiliar financeira criticava o fato de outras pessoas terem chegado após ela e a filha e serem atendidas primeiro. “A gente procura um médico porque está doente e passando mal”, comentou, quando o nome da filha foi chamado pela equipe de enfermagem. Porém, na frente dela estavam outras duas pessoas.

Já Francisco Carvalho, de 25 anos, garante que recebeu atendimento rápido. “Esperei uns 30 minutos, mas quando cheguei não tinha muita gente”, disse o rapaz, que ainda portava no braço a pulseira na cor amarela.

Para atender as pessoas que buscam as unidades de pronto atendimento, a rede publica de saúde municipal segue a tabela de classificação de risco recomendada pelo Ministério da Saúde (MS). Pelo método, o usuário é estratificado por cores de acordo com os sinais, sintomas e potencial de risco apresentados pelo paciente. Até então, eram usados o azul, verde, amarelo e vermelho.

A SMS garante que a inserção de mais duas cores indicativas atende a demandas especificas dentro das unidades de pronto atendimento. A roxa indica os pacientes prioritários, amparados pela Lei 10.048 de novembro de 2000, que são os portadores de deficiências físicas, idosos com idade igual ou superior a 65 anos, gestantes, lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo. Já a cor preta é para os pacientes alérgicos.

A SMS afirma que o sistema é fundamental para organizar os processos de trabalho dentro da unidade de saúde e melhorar o atendimento ao usuário, além de ser um “instrumento de humanização”.

A intenção da inserção das novas cores, segundo o órgão municipal, é estruturar o serviço a fim de atender os usuários de forma mais qualificada e segura.

“Com mais essas duas indicações, roxo, para os pacientes prioritários e, preto, para os alérgicos, estamos tornando esse atendimento cada vez mais qualificado e eficiente”, afirmou a diretora da Atenção Secundária, Lileine Lúcia da Silva, por meio da assessoria de imprensa.

Porém, a garantia é de que a inclusão de mais duas cores não irá influenciar na classificação de risco, apenas servirá de identificação para a equipe no momento do atendimento.

Assim, os usuários que estiverem com as pulseiras roxas (indicativa de atendimento prioritário) e pretas (indicativa de pacientes alérgicos), só deverão passar na frente dos outros pacientes se estiverem classificados como amarelo ou vermelho.

Vale lembrar que a classificação de risco também estabelece prazos para o atendimento. No caso do vermelho (emergência), a assistência deve ser imediata. O amarelo (urgente) indica acolhimento médico em no máximo 15 minutos, o verde (não urgente) em até 30 minutos e o azul (baixa complexidade), atendimento de acordo com o horário de chegada. 


Autor: Joanice de Deus com DiariodeCuiaba


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