Silval da Cunha Barbosa, paranaense de Borrazópolis, 55 anos, foi o 54º governador de Mato Grosso nos 127 anos da República. Governou Mato Grosso por exatos 2.100 dias, de 31 de março de 2010 a 31 de dezembro de 2014. Vai entrar para a história como o primeiro ex-governador de Mato Grosso a ficar preso por desvio de recursos em seu mandato. Muitos ex-chefes do Executivo chegaram a responder a processos por irregularidades, mas nenhum teve a prisão decretada.
No dia 15 de setembro de 2015, foi expedido pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane de Arruda, um mandado de prisão contra o ex-governador que havia deixado o Palácio Paiaguás há apenas 258 dias.
Naquele dia, Silval Barbosa se preparava para ir à Assembleia Legislativa, onde participaria de uma audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos incentivos fiscais, quando foi avisado que seria preso na Assembleia. No mesmo instante desapareceu e evitou ser preso diante da imprensa na Assembleia Legislativa, como aconteceu com os seus ex-secretários Pedro Nadaf (Casa Civil) e Marcel de Cursi (Fazenda).
Durante dois dias Silval Barbosa foi caçado pela polícia. Teve seu nome incluindo na lista de procurados pela Interpol. Na tarde do dia 17, enfim, ele se apresentou à juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane de Arruda.
Começava aí o calvário – que hoje completa um ano – de Silval Barbosa na prisão. Primeiramente, foi encaminhando para o Batalhão do Corpo de Bombeiros. Ficou no local apenas 18 dias, sendo transferido, por falta de segurança, para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), onde permanece até hoje.
Nestes 365 dias o mundo desabou na cabeça de Silval Barbosa, acusado de chefiar uma organização criminosa que assaltou os cofres públicos ao longo do tempo em que esteve à frente do Paiaguás.
Se não bastassem as inúmeras derrotas no Judiciário – em todas as instâncias –, para ganhar a liberdade, teve que ver seu filho mais velho, Rodrigo Barbosa, ser preso. Outros secretários de sua gestão também foram presos e a cada nova prisão aumentava a fila de empresários e ex-servidores públicos a delatarem desmandos do seu tempo no poder.
Para finalizar, aliados políticos, como o ex-deputado José Riva e ex-auxilares próximos como Pedro Nadaf, Cesar Zílio e Pedro Elias Domingos, despejaram inúmeras denúncias contra o ex-governador.
HISTÓRIA
Silval Barbosa, o rapaz humilde que chegou a Mato Grosso na leva de migrantes do Sul do país na década de 1980 e teve destacada atuação na criação e ocupação de várias localidades no eixo da BR-163 acima de Sinop, quando do ciclo de colonização do Nortão, foi prefeito de Matupá, deputado estadual por três vezes e governador do Estado. É hoje um simples detento do Centro de Custódia de Cuiabá.
De origem muito humilde, nem mesmo o cargo de governador levou Silval a tratar alguém por “você”. Indistintamente, cumprimenta as pessoas chamando-as de “senhor” ou “senhora”.
Matupá morria nos leitos do Hospital da Malária montado por um anjo que se chamava Adelheid Helena Schwaenen ou simplesmente Irmã Adelis. A cidade sentiu necessidade de um líder político para enfrentar o grave problema de saúde que dizimava sua população tanto na área urbana quanto na zona rural. O nome de Silval despontou entre os moradores, que em 1992 lhe deram as chaves da prefeitura. Depois de muita luta, essa doença tropical é praticamente página virada. Iniciava assim a carreira política do primeiro cidadão do Nortão a se tornar governador de Mato Grosso.
Em 1998, não faltou quem achasse loucura o ex-prefeito disputar a Assembleia Legislativa. Afinal, Matupá tinha somente 7.806 eleitores e em tese jamais elegeria deputado estadual. Obstinado, Silval revirou sua região em busca de votos. A apuração derrubou o pessimismo até certo ponto lógico: foi eleito o deputado mais votado pelo PTB. Quatro anos depois, foi reeleito mantendo a condição de campeão de votos por sua legenda, sendo que nessa legislatura presidiu a Assembleia por um biênio e nesse período concluiu a obra de sua sede, que é exemplo de modernidade e funcionalidade.
Deputado da base de sustentação do governador Blairo Maggi, Silval foi escolhido para compor sua chapa à reeleição. Ao longo de quatro anos compartilhou o governo e em março de 2010 sucedeu Blairo, que deixou o cargo para concorrer ao Senado pelo PR. O resto é história.
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Autor: Rafael Costa com Diario de Cuiaba