Quinta-Feira, 23 de Julho de 2026

Ministro da Fazenda propõe empréstimo para ajudar Mato Grosso




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Empenhado quase integralmente em garantir o sucesso de seu programa de ajuste fiscal, que ancora o crescimento das despesas públicas ao limite máximo da inflação do ano anterior, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se viu cercado na última terça-feira, 13, por 25 governadores em busca de mais recursos financeiros. Os governadores pediram R$ 7 bilhões em ajuda ao Tesouro.

Ao menos 20 deles ameaçam decretar estado de calamidade pública por causa da crise, entre eles o governador Pedro Taques, de Mato Grosso. Meirelles diz que não pode ceder. “Não tem dinheiro”, justifica. Mas ofereceu uma saída: aval da Fazenda para que os estados tomem novos empréstimos. Segundo ele, os governadores podem levantar até R$ 20 bilhões ainda este ano.

O ministro também falou sobre a possibilidade de a Fazenda oferecer um aval para que os Estados tomem novos empréstimos. Segundo ele, os governadores podem levantar até R$ 20 bilhões ainda este ano. “Existe um espaço na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) em que a União pode garantir empréstimos contraídos pelos estados e pretendemos usar todo esse espaço para dar aval aos estados que têm condições técnicas de tomar empréstimo, até R$ 20 bilhões. Isso é uma ajuda importante, é um aval que viabiliza empréstimos”, disse o ministro em entrevista ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada.

Na entrevista, ele garantiu que o Tesouro vai acelerar a autorização para os empréstimos. O instrumento, que servirá para a obtenção de financiamento tanto em bancos públicos quanto em instituições privadas, estará disponível a estados com as melhores classificações de risco (A e B), o que, segundo informou, inclui as unidades da região Nordeste, as que mais reclamam a ajuda. O governador Pedro Taques não quis comentar as declarações de ontem do ministro, dizendo que só vai se pronunciar após a reunião dos governadores com o presidente Michel Temer, que inicialmente estava prevista para acontecer hoje, mas foi adiada com a ida do presidente a Nova York, para discursar na ONU. “O presidente volta na quinta-feira, aí vamos conversar com ele”, disse Taques.

Ontem, Meirelles reforçou que apesar da difícil situação fiscal existem, sim, estados com rating A e B e que a origem dos empréstimos pode ser variada, “com bancos públicos, privados, BNDES, setor externo, etc.”. Segundo ele, existe demanda suficiente para atingir os R$ 20 bilhões. “Diversos estados já fizeram o dever de casa e têm condições de receber esse aval”, afirmou.

Mato Grosso teria condições de contrair empréstimos até R$ 4 bilhões.

Para o ministro da Fazenda, o que vai melhorar a imagem do Brasil no exterior é reforçar para os investidores externos o que o governo já vem fazendo, como o esforço para aprovação no Congresso da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 241) que limita o crescimento dos gastos públicos e reforma da Previdência. O ministro, que participou do seminário "Perspectivas para a Economia Brasileira nos Próximos Anos" na Fiesp, embarcou ontem para Nova York, onde se juntará à comitiva do presidente Temer para conversar com investidores estrangeiros.

Meirelles disse que, internamente, já está ocorrendo uma melhora generalizada das expectativas em relação ao crescimento da economia para o próximo ano. A Fazenda, de acordo com o ministro, projeta expansão de 1,6% no próximo ano. "O mercado projeta 1,3%, mas algumas casas de grande reputação estão em 2%. Existe uma expectativa geral, indicando aumentos cada vez maiores em 17 e 18. Isso é relevante, não adianta olhar só para o dia de hoje, temos de ver tendência", disse Meirelles.

O ministro voltou a afirmar que os aumentos que foram dados no passado aos servidores foram pactuados pelo governo anterior no teto dos gastos. "Aumentos aprovados farão a folha aumentar 7,2% no ano que vem, próximo da previsão de inflação para 2016. Está alinhado com o crescimento do teto", disse.

 


Autor: Aline Almeida com Diário de Cuiaba


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