O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou ontem que o governo compreende a situação fiscal ruim dos estados. Segundo ele, em 17 ou 18 deles os governadores se converteram em "meros administradores de departamento pessoal". Na avaliação dele, a situação pode se agravar: "É o início de um processo que, se não tiver reversão, vamos ver ser incrementado nos demais estados", disse Padilha.
Ele reforçou que o presidente Michel Temer tem consciência da "dura situação" e que a solução virá com medidas difíceis. "Não digo que sejam medidas amargas, são saneadoras. Nunca vi curar doença grave a não ser com remédio forte", disse.
A alternativa encontrada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de dar aval a R$ 20 bilhões de empréstimos para ajudar os estados que ameaçam decretar estado de calamidade financeira, na prática, seria de apenas R$ 8,5 bilhões. O restante, já foi utilizado.
Dos 27 estados da Federação, apenas 16 possuem condições de adquirir empréstimos do Tesouro e todos já realizaram pedidos à secretaria ligada ao Ministério da Fazenda. Agora, o governo irá analisar caso a caso os pedidos.
A equipe de Meirelles avalia ainda que dificilmente os outros estados terão o poder do Rio de Janeiro, que sediou os Jogos Olímpicos e recebeu R$ 2,9 bilhões para segurança ao decretar estado de calamidade. A avaliação é de que, caso o governo não tivesse ajudado o Rio, um desastre nos Jogos mancharia a imagem do País.
A proposta de Meirelles também dividiu opinião entre os governadores. Enquanto governadores de estados do Sul e Sudeste, como São Paulo, Santa Catarina e Paraná anunciaram que pretendem utilizar a ferramenta, representantes da região Nordeste alegam que isso não resolve o problema. O governador de Mato Grosso, Pedro Taques, não quis se pronunciar, dizendo que só vai falar após o encontro com o presidente Temer, que volta amanhã ao país.
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Autor: Rafael Costa com Diario de Cuiaba