Domingo, 19 de Abril de 2026

Apenas 6,4% dos alunos no ensino superior de Mato Grosso são negros




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Apesar de mais de 50% da população no país (e cerca de 60% em Mato Grosso) ser negra, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o acesso ao ensino superior ainda continua desigual. O Censo 2015, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), sobre as matrículas no ensino superior, revela esta discrepância.

Das 164.368 matrículas em Mato Grosso, apenas 6,4% são de pessoas que se declaram de cor/raça preta. Na raça/cor preta são 10.668 matrículas, 4.236 na rede pública e 6.432 na privada. Quando se fala dos indígenas o número é ainda mais assustador, as matrículas desta taça/cor são 0,27% do total. Os indígenas correspondem a 445 matrículas, 234 na rede pública e 211 na privada.

No Censo, 7.187 matriculas nas dispõe da informação sobre raça e cor e 40.026 não declararam. O Censo aponta ainda que 45.989 são brancas, destas 12.700 matricularam nas instituições públicas e 33.289 na rede privada. Além de 57.585 declararam pardos, 13.832 matricularam na rede pública e 43.753 na privada. E ainda 2.468 são da cor/raça amarela sendo 646 na pública e 1.822 na privada.

Vale ressaltar que existe no Brasil a Lei 12.711 de 2012 que estabelece o sistema de cotas no Brasil. O texto da Lei de Cotas prevê a destinação de vagas para estudantes de escolas de públicas e, dentro dessa reserva, algumas vagas são para autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. São as cotas sociais e cotas raciais.

Quanto as cotas sociais as instituições federais de ensino superior são obrigadas a cumprir até 2016 a reserva de 50% das vagas para estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas. Deste percentual, metade deve ser destinada a candidatos que possuam renda mensal per capita igual ou menor a 1,5 salário-mínimo e a outra metade para os estudantes com renda maior que 1,5 salário-mínimo.

Já nas cotas raciais para concorrer a uma vaga em instituições de ensino superior é através da autodeclaração de raça. Estudantes pretos, pardos ou indígenas de escolas públicas têm assegurado por lei carteiras nas universidades federais.

A presidente do Conselho Estadual de Promoção e Igualdade Social, Antonieta Luisa Costa, afirma que nem é preciso fazer pesquisas para saber que as desigualdades existem. Segundo ela, a ausência do afrodescendente em cursos de pico como medicina, direito, fisioterapia, entre outros é ainda maior.

“A comunidade negra quando tem o acesso a esses cursos é pequeno. Na maioria das vezes, nas universidades não existe nenhum negro nestes cursos. Precisamos ainda de políticas públicas, ainda falta muito para conquistar essa sociedade igualitária”, disse.

Antonieta frisa que uma das alternativas é o sistema de cotas. A presidente do Cepir diz que a sociedade precisa entender que ele vem trazer oportunidades. Além de corrigir séculos de desigualdades a que os negros foram submetidos.

“Falamos de igualdade de direito que começa com as oportunidades. A política de inclusão não é favorecimento, mas a oportunidade de competir com os iguais. Temos que discutir a entrada e permanência dos afrodescendentes no ensino superior”, disse.

Os dados do Inep revelam ainda que o número de matrículas de graduação presencial em Mato Grosso totalizam 130.245, sendo no ensino público 39.629 e 90.616 na privada. No Estado são 56 instituições de ensino superior, 16 delas na capital e 40 no interior. Ao todo são três universidades, duas na capital e uma no interior. Além de dois centros universitários, um em Cuiabá e outro no interior. São 50 faculdades, 12 delas localizadas em Cuiabá e 38 espalhadas em outras cidades. E para finalizar um Instituto Federal em Cuiabá. 


Autor: Aline Almeida com Diário de Cuiabá


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