Passado o primeiro turno das eleições de 2016 é visível que a reforma não alterou nada. Perdeu! O número de abstenções, votos nulos e brancos aumentaram. Os velhos nomes políticos estão eleitos por mais quatro anos, e os que entraram pela primeira vez, com certeza não estão eleitos pelas propostas de campanha, mas sim pela forma, estrutura e pelo quociente eleitoral favorável.
Vamos lá! Na democracia as pessoas tem que aprender a viver e gostar dela para participar. Naturalmente não somos democráticos, somos egoístas e queremos um mundo segundo as nossas vontades. Logo, compartilhar ideias, vencer e perder discussões é um processo de aprendizagem e ninguém aprende em um ambiente inóspito e agressivo.
Música, comes e bebes (não alcoólico) fazem a alegria das pessoas e tornam o ambiente mais adequado para o debate, é o que chamamos de didática do ensino para a aprendizagem, os meios atrativos para criar o ambiente necessário para o convívio e a tolerância, mesmo com tantos interesses adversos, é o que fazem os sindicatos, clubes, igrejas, associações e até as escolas mais modernas, tornar o ambiente atrativo.
Outro fator também é o tempo. O tempo mínimo para uma etapa de aprendizagem é um semestre, isso no mundo todo, inclusive no Brasil, nossas eleições ocorreram em menos de 30 dias, quando aqueceu faltava uma semana.
O congresso nacional tem que fazer uma reforma pensando no eleitor e não somente no candidato. Tudo que tem sido feito até agora só leva em conta quem vai candidatar, foco no crime eleitoral, foco na diminuição dos gastos de campanha, foco na empregabilidades de advogados e contabilistas, chega né! O mais interessado é o eleitor, precisamos oferecer condições a quem realmente interessa, no geral nosso eleitor já é ruim e continuando nesta escalada vai ficar péssimo.
Se o dinheiro para a campanha é público ou é privado é o de menos, se a empresa pode doar ou não, pouco interessa, o que não proíbe ocorrer é crime, e o crime ocorre é pela impunidade aos culpados e não pela permissão ou proibição de algo. O Brasil é um país estranho, quando o assassinato ocorre, o governo põe a culpa no revólver, e aí então proíbe o uso dele.
O mesmo ocorre na política, quando o crime ou fraude, ao invés de punir exemplarmente o “criminoso”, inventam regras para diminuir o dinheiro e o tempo de debate.
Precisamos de uma reforma eleitoral que tenha foco na ampliação e no desejo de ter um povo democrático, que sinta prazer em participar das decisões públicas, e não uma reforma para melhorar, dificultar ou impedir qualquer coisa que seja em função do candidato. A estrela da democracia tem que ser o eleitor, o brasileiro em geral.
Nas grandes democracias, o cidadão aprende desde cedo que é preciso, primeiro saber dos seus deveres para depois conhecer seus direitos. Em países como o Brasil, onde se pensa que só há direitos e nenhuma obrigação, não existe democracia e sim privilegiados e miseráveis que se igualam na ignorância do usufruto do bem comum.
Para a democracia, debater é importante, participar é importante, escolher e saber escolher mais ainda, pois o maior protesto que um cidadão pode fazer em um país democrático, custa menos de 10 segundos em um único dia e seus efeitos perduram por quatro anos, 1460 dias, por 35.040 horas.
Ou vamos fazer isso ou teremos daqui a pouco, abstenções, nulos e brancos em patamares insuportáveis para quem deseja viver em um país com democracia e participação popular. Pior que não ter democracia e ver a vontade de uma minoria privilegiada, prevalecendo sobre a maioria da sociedade, omissa e desconectada das principais decisões do país.
*João Edison de Souza é cientista político em Mato Grosso
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Autor: João Edison de Souza