S�bado, 25 de Julho de 2026

Mestre de obras passa 21 dias na prisão após ter documentos roubados




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Mestre de obras há cerca de 20 anos, casado e com duas filhas, Gabriel Afonso de Araújo, 38 anos, passou 21 dias preso neste ano por roubos que diz não ter cometido.

O suspeito autor dos crimes é um homem que usa, com algumas alterações, um documento de identidade de Araújo furtado em 1999. Entre as acusações, há pelo menos três assaltos a banco.

Em geral, recomenda-se a quem perca documentos pessoais que registre um boletim de ocorrência na Polícia Civil e informe os serviços de proteção ao crédito, como Serasa e SPC.

A aparente negligência de Araújo diante do extravio cobrou seu preço: o mestre de obras foi preso em 14 de setembro, por ordem da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte (MG), a mais de 900 km de sua casa.

Após conseguir provar que não era o criminoso procurado, deixou a Casa de Prisão Provisória de Aparecida de Goiânia (GO) no último 4 de outubro, descalço e com a mesma roupa que entrara.

Morador de Trindade, na região metropolitana de Goiânia, ele diz ter feito promessa para esquecer o período na cadeia. Nunca imaginei na minha vida ficar preso, porque eu nunca fiz maldade para ninguém.

Antes de cumprir a promessa, relatou à BBC Brasil como foi a experiência na prisão - e o pesadelo ainda em curso, pois ainda precisa provar definitivamente sua inocência em pelo menos quatro processos. Confira o relato: Mexo com construção desde que me entendo por gente. Tenho 38 anos, comecei a trabalhar com 17 anos e há 20 anos sou mestre de obras.

Fui roubado numa obra, em abril de 1999. A gente trocava de roupa no almoxarifado e deixava tudo dependurado. Três funcionários deixaram as carteiras no bolso e foram roubados. Tinha habilitação e identidade [na carteira]. Nem fiz a ocorrência. Em 2009, estava indo para o Alphaville (condomínio em Goiânia), umas 8h. Um guarda me abordou e pediu a habilitação da moto.

Os guardas só apareceram de novo após uns 40 minutos. De repente apareceram cinco viaturas para me prender, atravessando canteiros, coisa de cinema. Começaram a me agredir. Chorei e disse: “moço, nunca fiz nada”. E eles dando tapas, me empurrando numa tela de parque. Passantes batiam continência para os soldados: Parabéns, prendeu mais um bandido.

Levaram-me ao 8º DP (Distrito Policial), perto do (estádio) Serra Dourada. Quando puxaram os processos, saiu a foto do cara (que usa o documento dele). Começaram a maneirar comigo.


Autor: Redação AMZ Noticias


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