Equipes da Secretaria de Ordem Pública de Cuiabá retiraram nesta quarta-feira (19) invasores que haviam ocupado, desde o último final de semana, uma Área de Preservação Permanente (APP) às margens do córrego do Despraiado, no bairro de mesmo nome.
Nossa reportagem esteve no local nesta manhã e conversou com moradores da região e os invasores que estavam presentes.Pelo menos três barracos com lonas e madeiras já haviam sido levantados na área.
Alguns dos invasores afirmaram que estavam ali apenas porque precisavam e que tinham família para sustentar. É o caso do operário de moto-serra Marinaldo Nunes da Silva, de 44 anos. Ele disse não ter condições mais de pagar aluguel.
“Aqui é só lixo que as pessoas jogam e vai tudo para o rio. Nós iríamos limpar e cuidar. Porque hoje em dia em Cuiabá o aluguel está muito caro, isso ninguém vê. Nós precisamos”, afirmou.
Conforme a apuração, um dos invasores já havia ocupado uma parte da APP há seis anos. Moradores afirmaram que o tal invasor tem um comércio em frente ao local. Lá seria construído um restaurante e que já haviam feito diversas denúncias sobre o fato, mas nada era feito.
“Ali era para ser construída uma praça e esse senhor simplesmente se apossou. Quer construir um restaurante. As crianças brincavam ali e a população ficou indignada com ele - já tínhamos feito mais de 100 denúncias e a Prefeitura nunca fazia nada”, disse Valdevino Mendes da Silva, de 42 anos.
Os agentes da Prefeitura chegaram ao local por volta das 11 horas e com apoio da Polícia Militar, derrubaram todos os barracos.
Dizendo-se dono da área onde seria construído o restaurante, o comerciante Jales Manoel, de 75 anos, afirmou primeiramente que tinha o documento que comprovava que as terras haviam sido doadas a ele.
No entanto, quando foi pedido para apresentar o documento, ele mudou a versão e afirmou que não tinha a tal documentação, que a área estava abandonada e ninguém nunca fazia nada. Por isso, segundo ele, resolveu “cuidar”.
No local havia pedreiros trabalhando na construção de um muro que o comerciante afirmou ser para impedir que as pessoas estacionassem seus carros. Ele foi multado em R$ 800 e tem 24 horas para retirar tudo o que já havia construído no local.
Além da ordem de retirada, foram apreendidos materiais que estavam sendo usados para garimpar a área.
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Autor: Jad Laranjeira com Midia News