Terca-Feira, 26 de Maio de 2026

Advogada se suicida no Mirante, depois de acusar procurador por assédio




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O corpo da advogada Ariadne Wojcik, 25 anos, servidora recém-nomeada do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, foi encontrado na tarde de ontem (9), na região conhecida como Mirante de Chapada dos Guimarães. Policiais Militares do Centro Integrado de Operações Áreas (Ciopaer) foram os responsáveis pela descoberta.

Ainda ontem, a advogada fez um longo post de desabafo em sua página no Facebook, denunciando uma espécie de relacionamento abusivo e não consensual com um professor de direito tributário da Universidade de Brasília (UnB), desde quando começara um estágio em seu escritório. Wojcik desapareceu logo depois da publicação.

Testemunhas informaram à Polícia Militar que viram uma mulher chegando de táxi ao mirante. Lá, os agentes policiais civis acharam uma bolsa, sem nenhum documento, e um par de sapatos.

No Facebook, a advogada se descreve como alguém com problemas de baixa autoestima. Expõe o quanto isso sempre a direcionou aos estudos e ao trabalho, como forma de sublimar o problema. Diz também que estava feliz por ter conseguido um estágio em um escritório em Brasília, com um de seus professores de Direito Tributário, mas por pouco tempo.

“Rafael Santos de Barros e Silva, eu nunca poderia imaginar o que estaria por vir. Comecei no estágio novo super empolgada, eu achava aquele professor o máximo, extremamente inteligente, detalhista, perspicaz, minucioso, brilhante. Como poderia ser ruim? Até que as coisas começaram a ficar esquisitas, vários presentes injustificados, mensagens por WhatsApp totalmente fora do contexto do trabalho (P. ex.: ‘sou seu fã’, ou ‘você é demais’) e fora de hora, muitas, muitas, muitas, perguntas de cunho pessoal”, escreveu.

Mais à frente no texto, ela afirma ter desconfiado de segundas intenções do tal chefe, “mas pensava: acho que não, ele é professor da UnB, me deu um ano de aula, é procurador do DF, tem um currículo e uma reputação impecável, é casado, ele não faria isso”. Em seguida, cita o nome de amigos que teriam testemunhado o período difícil. Afirma, ainda, ter voltado para Cuiabá para tentar se livrar do que ela descreve como perseguição monitorada de todas as mídias sociais que utilizava, até mesmo do celular.

Logo após o desaparecimento de Wojcik, equipes das polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros iniciaram as buscas por ela. Retirado com múltiplas fraturas devido à queda de mais de 45 metros, de acordo com a Polícia Militar, o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal de Cuiabá para identificação oficial.

Ainda sobre o post no Facebook, a advogada descreve um quadro de horror constante, dá sinais de estar sempre com medo de alguém e de que algo pudesse acontecer. O tom vai piorando cada vez mais, até desembocar numa despedida formal, com pedidos de desculpas aos amigos e familiares.

OUTRO LADO – Ao site Metrópoles, de Brasília, o procurador e professor substituto da Universidade de Brasília (UnB) Rafael Santos de Barros e Silva, negou as acusações feitas pela jovem e afirma que “ela sofria de distúrbios psiquiátricos”. De acordo com Rafael Silva, seu relacionamento com a jovem era estritamente profissional e, até a saída dela do escritório do qual ele é dono, os dois nunca tiveram qualquer contratempo.

“A demissão dela foi tranquila, sem problemas. Em agosto deste ano, ela começou a me mandar e-mails dizendo que eu tinha grampeado o celular dela, colocado câmeras na casa e a estava perseguindo”, disse ele.

O professor afirma ainda que informou o caso à diretoria da Faculdade de Direito da UnB, falou com amigos próximos de Ariadne e tentou entrar em contato com a família dela. No entanto, Silva diz que os colegas pediram que o procurador não registrasse ocorrência policial, porque Ariadne estava “passando por tratamento psiquiátrico”. 


Autor: RodivaldoRibeiro com DiariodeCuiaba


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