Família de paciente se desespera por falta de atendimento no Hospital do Câncer de Mato Grosso. Evânia Lopes, 41, disse que não vai deixar o hospital enquanto o marido dela, Mário de Araújo, 60, não for atendido, na noite desta quarta-feira (16).
Paciente da unidade há mais de dois anos para tratamento de um câncer de boca e mandíbula, ele está sentindo dores terríveis e o coquetel que possibilita o alívio das dores só pode ser obtido no ambulatório do hospital.
Segundo ela, com o quadro agravado da doença, o marido precisa de atendimento diário pois as dores são insuportáveis. Mas em decorrência da suspensão no atendimento por parte do hospital desde o último dia 7, por falta de repasses por parte do Governo Estadual.
Alertada pelos funcionários que disseram que não poderão atender Mário, ela se revolta e diz que um hospital de referência, que recebe tantas doações, não pode virar as costas para um paciente num momento de sofrimento como este. Alerta que está a ponto de fazer uma loucura para conseguir o atendimento dele.
Além do Hospital do Câncer, outros 4 grandes hospitais filantrópicos de Mato Grosso estão com atendimentos suspensos. São as Santas Casas de Cuiabá e Rondonópolis, o Hospital Geral Universitário (HGU), e o Hospital Santa Helena.
Cada um deles atende em média 1 mil pacientes ao mês. Segundo o médico Antônio Preza, vice-presidente da Federação dos Hospitais Filantrópicos de Mato Grosso e presidente da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, a dívida acumulada pelo estado supera os R$ 7 milhões em relação aos cinco maiores hospitais e o déficit refere-se 40% do custo de cada paciente atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Se o Governo não assumir este compromisso, os hospitais não terão condição de retomar e manter os atendimentos.
Os filantrópicos cobram o compromisso do governador que, após exigir a realização de uma consultoria para avaliar os custos de cada paciente para fazer os repasses, simplesmente suspendeu os pagamentos ignorando a crise no setor.
Assegura que desde o mês de março, quando governo ignorou acordo firmado no ano passado e depois de três meses deixou de fazer os repasses, a situação se tornou insustentável.
Autor: Silvana Ribas com Gazeta Digital