Num mundo cada vez mais tecnológico, virtual e (extremamente) acelerado às relações estão se tornando cada vez mais complexas. Importa o “status” de relacionamento, e não a forma com que ambos irão conviver na vida em comum.
O “conhecer melhor” perpassa hoje por dividir tudo, juntar as escovas de dente e, ter uma vida em comum; mudando de forma drástica o ideal de 10 anos atrás, quando isso viria com o tempo, após o namoro e o noivado, atualmente é substituído por 2 semanas ou até meses de namoro.
A busca pelo “par ideal” e pelo medo, muitas vezes da solidão, gera muita insegurança, fragilizando e impulsionando o indivíduo a tomar decisões precipitadas, que favorecem, inclusive, a abdução das vontades e necessidades individuais fazendo com que o outro viva conforme o desejo de uma das partes, o que torna o relacionamento unilateral e prejudicial, até mesmo a saúde.
É sempre importante destacar que a realização pessoal deve ser primada em todas as relações, principalmente, as amorosas.
O indivíduo tem necessidades pessoais e intransferíveis que devem ser mantidas; desde que não prejudique uma das partes. Um bom exemplo disso é o trabalho, nada mais prazeroso do que ter com quem dividir as alegrias, e também reconfortante relatar o que não deu certo, recebendo apoio. Porém, se o outro usa o diálogo para impor pensamentos e muitas vezes fazer valer a sua vontade pessoal em detrimento a do outro, a relação deve ser vista como nociva.
Não há uma receita prática e comum a todos de como deve ser um relacionamento positivo e construtivo, mas é possível analisar os pontos que tornam a convivência difícil e nociva:
- Quando deixamos de viver para não magoar o outro;
- Quando as vontades pessoais deixam de ser atendidas em prol do outro;
- Quando se vive conforme as vontades do outro, e não pelo bem comum.
Ou seja, quando você passa a ser conduzido, deixando sua vida conforme a realidade do outro, e renunciando totalmente a ter sua individualidade, tão necessária para ter sua identidade pessoal, você está vivenciando um relacionamento tóxico, e que irá sim debilitar, inclusive sua saúde.
Por fim, relacionamentos devem trazer paz e crescimento para ambos, se está trazendo mais dor e tristeza, afastando do convívio familiar de umas das partes e até mesmo havendo a imposição de uma personalidade na outra, é o momento de analisar melhor.
O psicólogo entra como peça fundamental nesta análise, pois de forma imparcial vai analisar as evidências e traçar um tratamento de forma individual. Ressalto que o diálogo com amigos é fundamental, mas não supre, nem de longe, a eficácia do tratamento com um profissional. Já vivenciei na clínica terapias que mudaram por completo a vida dos pacientes, afinal é salutar manter a individualidade dentro das relações.
* Laura Oliveira Gonçalves é Psicóloga atua na Abordagem Sistêmica com especialização em Avaliação Psicológica e Psicologia do Trânsito.
Autor: Laura Oliveira Gonçalves