Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Em juízo, empresário reafirma esquema tucano de corrupção na Seduc




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O empresário Giovani Belatto Guizardi, dono da construtora Dínamo, confirmou ontem, diante da juíza Selma Arruda, o esquema de propina e fraudes em licitações da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), nos anos de 2015 e 2016, que, segundo ele, arrecadou R$ 1,2 milhão, em 96 pagamentos ao longo de oito meses. O delator confessou que foi ele próprio quem montou o esquema e definiu os percentuais destinados aos membros do grupo.

Em seu depoimento, na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Guizardi reafirmou a divisão da propina: “Alan Malouf ficava com 25%, o deputado Guilherme Maluf com 25%, Perminio Pinto com 25%, eu com 10% e Fabio Frigeri e Wander com 5%”.

O delator também reafirmou que o ex-secretário Permínio Pinto era o líder do esquema e “mandava e desmandava” na Secretaria. Guizardi disse à juíza que Permínio foi indicado ao cargo pelo deputado federal Nílson Leitão (PSDB) e ainda citou que um dos depósitos do esquema, no valor de R$ 20 mil, beneficiou o deputado federal a pedido de Permínio Pinto.

Giovani Guizardi iniciou seu depoimento relatando que, em 2014, doou R$ 300 mil à campanha do então candidato ao governo de Mato Grosso Pedro Taques. A doação foi feita ao empresário Alan Malouf. Em 2015, após a eleição de Taques, segundo Guizardi, ele foi convidado por Alan para recuperar o dinheiro investido na campanha de Taques – os R$ 300 mil dele e R$ 10 milhões, que Alan Malouf teria investido na campanha – através de licitações na Seduc.

“Foi marcada uma reunião com Alan Malouf e o secretário Perminio Pinto e, nessa reunião, eu fui apresentado para ele para saber qual seria a possibilidade para poder trabalhar nessas licitações. Isso foi no início de 2015”, disse Guizardi.

O esquema começou a funcionar em março de 2015, com cada empresário que atuava na Seduc pagando 5% de propina em cada obra licitada. “Fui eu que montei o esquema, inclusive com os percentuais de cada colaborador”, disse Guizardi no depoimento, antes de detalhar a função de cada um no esquema: “cada um dentro do grupo tinha uma função. A minha função era arrecadar o dinheiro, do empresário Luiz Fernando Rondon era cobrar quem estava com a propina atrasada, do Ricardo Sguarezi a atribuição de obras, do Edézio Ferreira era na formação de planilhas de custo e a do Wander era em ajudar ou dificultar que o processo andasse dentro da Secretaria. Fabio Frigeri tinha a mesma atribuição do Wander e também agilizava ou segurava processo dentro da Secretaria”.

Questionado pela juíza Selma Arruda sobre o motivo para fazer doação na campanha eleitoral, Guizardi respondeu: “para conseguir trabalhar dentro da Seduc, porque as coisas funcionam desse modo mesmo”.

A juíza também questionou a participação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf, no esquema. Guizardi reafirmou em juízo que Maluf era o braço político da Seduc, era quem “colocava e tirava a pessoa lá de dentro”.

O coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), promotor Marco Aurélio Castro, quis que Giovani Guizardi explicasse como era feito o contato entre os membros do grupo, principalmente as conversas do empresário com os servidores da Seduc Fábio Frigeri e Wander Luiz: “eu trocava os celulares deles quinzenalmente. Reunia com eles na minha empresa, combinava o que tinha que ser combinado, pegava os celulares e dava outros. Os codinomes eram cores, países e cidades”.

Guizardi também explicou ao promotor como era avisado pelos servidores da Seduc sobre os pagamentos dos outros empresários, para que fosse feita a cobrança da propina. 

Também explicou sobre as vezes em que entregou dinheiro pessoalmente ao ex-secretário Permínio Pinto. Ainda relatou que nunca entregou dinheiro diretamente ao deputado Guilherme Maluf.

Guizardi explicou sobre o projeto “Escola Legal”, orçado em R$ 33 milhões, mas que não foi implementado. “Quem fez esse projeto fui eu. Não havia nada de errado nele, eu fiz com a intenção de ganhar a obra. O projeto visava atender as escolas na Grande Cuiabá para manutenção em geral. Por exemplo, se caísse um telhado, a gente ia lá arrumar. O Perminio deu ok no projeto, daí eu fiz tudo: a planilha, a licitação e enviei para a Seduc. Mas assim que foi publicado ele foi cancelado. Eu fiquei muito irritado, cobrei ele [Permínio], porque se tinha algo que não tinha nada de errado era esse daí”, explicou Guizardi ao promotor Marco Aurélio.

O empresário também disse que após a prisão dos servidores Fábio Frigeri e Wander Luiz os pagamentos da Secretaria foram cessados. Segundo Guizardi, não havia superfaturamento nos contratos da Seduc, “esses valores eram tirados dos lucros do empresário”, disse.

RONDON - Após o depoimento de Giovani Guizardi, a juíza Selma Arruda ouviu o depoimento do empresário Luiz Fernando da Costa Rondon, da construtora Luma. Rondon confirmou o esquema de pagamento de propina na Seduc, comandado pelos servidores da Pasta e o empresário Giovani Guizardi.

“O Fábio (Frigeri) me deu um papel com o número do Giovani Guizardi. Liguei e fui até o escritório dele. Ele me entregou um tablet com a planilha da propina de 5%. Questionei se o secretário sabia daquilo e ele disse que sim. Não tinha como fugir daquilo, o sistema já estava montado: ou pagava a propina ou não recebia”, contou Rondon, que disse não ter concordado com o valor cobrado de propina por Guizardi. “Eu não paguei, rompi com eles, não concordava com aquilo”, declarou o empresário. 


Autor: Redação AMZ Noticias


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