Cuiabá em crise no final do mandato de seu prefeito. Entre a população uma grande interrogação sobre o futuro da água distribuída às casas e o setor empresarial. Isso, em dezembro de 2012, às vésperas da posse de Mauro Mendes na prefeitura. Agora, apesar do tsunami que abala a economia nacional sem poupar Mato Grosso e sua capital, o cenário é outro na administração do município. Mauro deixa o poder com a aprovação popular maior que o elegeu; o prefeito sai de cena abrindo espaço ao sucessor Emanuel Pinheiro (PMDB), mas o político não – mesmo medindo as palavras diz que estará presente nas eleições em 2018, porém faz mistério sobre seus planos políticos, sob a esfarrapada desculpa que não tem bola de cristal, como se política também não fosse o exercício da futurologia e a capacidade de apostar nos resultados das urnas como ele o faz há muito tempo.
Goiano de Anápolis, radicado em Cuiabá, o empresário e engenheiro eletricista Mauro Mendes Ferreira (PSB), à época com 48 anos, casado com Virgínia Mendes, venceu em segundo turno a eleição para prefeito em 2012 com 169.688 votos (54,65%) deixando pelo caminho o petista Lúdio Cabral que cravou 140.798 votos (45,35%). Para ganhar a confiança do eleitorado cuiabano Mauro não apresentou nenhum plano administrativo mirabolante. Simplesmente assegurou que levaria para a prefeitura o modelo de gestão adotado em suas empresas. Esse compromisso foi aquilo que se costuma dizer em Goiás, sua terra: juntou a fome com a vontade de comer; o povo estava cansado da alternância do poder entre políticos que não se distanciavam muito uns dos outros permanecendo como peças de um tabuleiro de dama que mesmo tendo vencedor mantinha sempre os jogadores no entorno da mesa.
Antes mesmo de chegar à prefeitura Mauro sofreu um sobressalto. Seu vice-prefeito João Malheiros (PR) não aceitou assumir seu cargo optando por continuar deputado estadual. Sem vice, o prefeito preparou-se para acionar sua equipe, mas seus primeiros passos foram cambaleantes pelo torpedeamento silencioso que sofria do presidente da Câmara Municipal, João Emanuel (PSD).
Ao longo da entrevista Mauro destacou o bom nível da relação que mantém com a Câmara, mas observou que enfrentou problema com João Emanuel, muito embora não desse detalhe. O vereador foi cassado e iniciou-se uma lua de mel institucional da legislatura com o prefeito.
Pra cumprir o prometido na campanha e enfrentando verdadeiro abacaxi com a prefeitura à beira do caos, Mauro tentou puxar para sua administração o modelo gerencial de suas empresas. Quatro anos depois ele assegura que consegui em parte, ou em outras palavras, construiu um modelo híbrido que deu certo.
Para provar que deu certo Mauro citou alguns números dos quatro anos de sua administração destacando que quitou pontualmente todas as folhas de pagamento dos servidores, que consome 50% do orçamento e em números absolutos é de R$ 58 milhões. Também transferiu na data certa os duodécimos da Câmara, na ordem de R$ 45 milhões anuais.
Em números redondos construiu 300 quilômetros de novos asfaltos e recapeou 400 quilômetros de ruas; a soma dessas obras daria um percurso equivalente à distância de Cuiabá a Colíder.
Na área de regularização fundiária emitiu autorização para a escrituração de 16 mil imóveis a custo cartorial zero; considerando-se que em média residem quatro pessoas numa casa, hipoteticamente essa quantidade formaria uma cidade com a população igual à de Poconé.
A Saúde, segundo Mauro, foi bem contemplada. Desde 1984, quando da construção do Hospital Universitário Júlio Müller, Cuiabá não inaugurava hospital público e ele cortou a fita inaugural do Hospital São Benedito, com 120 leitos. Foram construídas duas UPAs e outras duas estão em obra. A prefeitura criou uma central de abastecimento de medicamentos e 70 equipes de agentes do Programa de Saúde (PSF) estão em atividade nos bairros e vilas.
Cuiabá ganhou mais de 100 obras de infraestrutura na área da Educação. A prefeitura construiu 10 escolas e reconstruiu 16. No setor de creches a cidade ganhou 21 e oito foram reformadas.
Considerando-se o grande aumento da frota de veículos o trânsito ganhou fluidez e caiu o número de acidentes, principalmente com perda de vida. A prefeitura instalou radares, criou corredores para ônibus e investiu na modernização da sinalização. O prefeito tem em mãos o resultado de uma pesquisa que mostra que 70% da população aprova o sistema de fiscalização que inibe o abuso da velocidade.
Os avanços no campo social Mauro credita à sua mulher Virgínia que esteve à frente dos projetos e do dia a dia na prefeitura. O prefeito cita o projeto Siminina, que no início de seu mandato atendia menos de 200 crianças e que ampliou seu leque de proteção para 1.200 menores. Também destaca a construção de quatro Casas Lar. Ao término da citação Mauro explica que tinha compromisso de administrar Cuiabá por quatro anos e o fez com alegria e muita responsabilidade.
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Autor: Eduardo Gomes com Diario de Cuiabá