O deputado Emanuel Pinheiro (PR) finalmente conseguiu colocar o decreto para extinção do aumento da tarifa do transporte coletivo intermunicipal em votação na sessão desta quarta (16). Mesmo brigando desde dezembro do ano passado, contudo, não obteve sucesso e a proposta foi rejeitada por 16 votos a 2. Num discurso exaltado, após a votação do parecer, Emanuel chegou a irritar profundamente o presidente da Assembleia José Riva (PSD), que deu um “puxão de orelha” no parlamentar.
Riva disparou que o republicano tem discurso fácil e fala com a intenção de machucar os colegas. “Não fale da trajetória dos outros, principalmente da minha. Não me diminua que eu sei o meu tamanho”, disparou. Depois de ser derrotado por 11 votos a 6 na votação do parecer da CCJ, Emanuel chegou a dizer que os deputados estavam construindo um “monstrengo”. Para defender sua posição, ainda citou a trajetória de Riva na vida política e, clamando por um “tiro de misericórdia”, disse que os parlamentares estavam “se rifando”, sem dar a devida atenção à população. O discurso só piorou a situação, tendo em vista que acabou perdendo mais 4 deputados, que inicialmente eram a favor do decreto.
O presidente, extremamente irritado, mandou Emanuel falar apenas por ele e não utilizar a trajetória de outros parlamentares. “O senhor é um dos poucos privilegiados que teve condições de fazer curso superior, é advogado constitucionalista, mas tem que falar por si. Não tem que falar da trajetória dos outros. Se vossa excelência acha que está tão correto em relação ao aumento da tarifa, a Justiça é o caminho certo. Cada um conhece sua trajetória e a sociedade sabe em quem está votando”.
Sem poupar o deputado, o social-democrata ainda disse em “alto e bom tom” que o republicano que estava querendo rasgar a legislação, ao tentar impedir o aumento da passagem que é constitucional e está prevista para ocorrer anualmente. “A causa mais fácil e fazer discurso para reduzir passagem e energia. Daqui uns dias o senhor vai querer reduzir o valor de refrigerante. Não me venha diminuir as pessoas que tem opinião contrária a do senhor”.
Emanuel protestava contra o custo da tarifa de ônibus intermunicipal entre Cuiabá e Várzea Grande que passou de R$ 2,40 para R$ 2,60, que entrou em vigor em 11 de dezembro. O reajuste ainda foi aplicado na tarifa do transporte coletivo de Cuiabá, equivalente a 8%. O valor passou de R$ 2,50 para R$ 2,70 e foi motivo de “revolta” na Câmara Municipal por parte dos vereadores Lúdio Cabral (PT) e Domingos Sávio (PMDB). Ambos também foram voto vencido.
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