Cercado de América do Sul por todos os lados, o Pantanal é a maior planície alagada do mundo e sua área ultrapassa fronteiras brasileiras avançando pela Bolívia e Paraguai, onde se chama Chaco. Sua proteção, entendem pesquisadores, vai além da criação de modelos sustentáveis de exploração econômica, porque a agressão ambiental mais forte que sofre é externa e chega ao seu solo, baías e rios pelas águas de um raio muito grande em seu entorno internacional.
O principal rio do Pantanal é o Paraguai, que em sua área banha os três países por onde se estende. Não há acordos internacionais para sua proteção e as legislações ambientais paraguaias e bolivianas são frágeis. Além disso, a Hidrovia do Mercosul, no rio Paraguai, tem navegação assegurada por um tratado firmado pelos países pantaneiros juntamente com a Argentina e o Uruguai.
As extensas lavouras na Bacia do Pantanal em Mato Grosso e Mato Grosso deixam em lados opostos o agronegócio e a militância ambiental. A exploração econômica do solo divide opiniões, por supostamente contaminar a região com agrotóxico e alterar curso de rios com a terra arrastada no período das chuvas, que chega aos rios nos chapadões. Somem-se ainda a poluição permanente da maior parte do esgoto de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Rondonópolis e outras cidades que é lançado sem tratamento nos rios pantaneiros.
No evento na UFMT, professores e pesquisadores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul lançaram o desafio de tentarem garantir o título dado pela Unesco e consequentemente protegerem o Pantanal. Receberam o sinal verde do governo mato-grossense representado pelo vice-governador Carlos Fávaro e do senador José Medeiros (PSD).
Professor e pesquisador da UFMT e ambientalista, Paulo Teixeira de Sousa Júnior é entusiasta com o Pantanal, onde desenvolve importantes trabalhos. Segundo ele, a UFMT tem um leque de pesquisas na área que inclui o boi pantaneiro, agregação de valores, sons do Pantanal e outros. Pode parecer estranho pesquisa sobre sons, mas segundo ele, seu resultado aponta quais bichos se encontram em tais e quais áreas, o que facilita a elaboração de roteiros turísticos. Ao levantar a questão da agregação de valores é possível orientar e qualificar a mão de obra local para atividade de produção de corantes etc.
Numa ação formiguinha, a UFMT descortina nichos de aproveitamento econômico numa área com mais de mil espécies de aves, de 400 de peixes, de 300 de mamíferos e de 480 de répteis, e uma diversificação de flora que completa um cenário de beleza inigualável, e onde a figura principal é o homem pantaneiro – esse sim, seriamente ameaçado em sua cultura, seus costumes e modo de vida. A esse trabalho se junta agora a luta pela manutenção do título dado pela Unesco.
Autor: Eduardo Gomes com Diário de Cuiaba