Assistia outro dia um vídeo em que um religioso, provavelmente pastor, não me lembro ao certo, fazia todo um contorcionismo para tentar dar nova roupagem aos antigos dogmas e preconceitos enraizados na crença de muitos, condenando a homossexualidade, mais precisamente o casamento gay. Enfim, no fundo, nada de novo.
O mesmo conservadorismo e positivismo maniqueísta, para não dizer niilista, de sempre, observado entre aqueles que se arvoram na condição de profetas, sem ter o mínimo de humanismo, humildade e alteridade para se colocar no lugar do outro.
Por mais sofisticada que seja a retórica, o resultado é sempre diverso do alegado. Não se protege a sociedade de ninguém. Apenas condena todo um segmento, pela sua simples condição pessoal.
Os gays de hoje são os negros e as mulheres de ontem e anteontem. É só conhecer um pouquinho da história, inclusive da história de como a igreja tratava esses outros dois segmentos, para compreender isso. Mas, para alguns, é e será impossível esse entendimento, relativamente simples.
Nesse debate, lembro sempre da conversa de Jesus, demasiadamente humano, conversando com Nicodemos, demasiadamente religioso. Ao final, o veredito: “- Só entenderá se nascer de novo!” Todavia, nem isso Nicodemos entendeu.
Temos muitos Nicodemos ainda hoje em dia, cheios de dogmas e certezas religiosas, e vazios de sensibilidade e percepção humanitária.
*Paulo Lemos é advogado em Mato Grosso, professor e articulista de artigos de opinião.
Autor: Paulo Lemos