À medida que novas frentes de trabalho da polícia surgem, mais vítimas do “Desafio Baleia Azul” vão aparecendo. O tenente-coronel Joel Outo Matos, comandante do 10° Comando Regional da Polícia Militar, localizado em Vila Rica (1.259 quilômetros de Cuiabá), confirma que os números de vítimas do desafio têm surpreendido até mesmo a polícia.
Somente naquele comando (que compreende 13 municípios da região nordeste de Mato Grosso), o número chega até 400 vítimas. Algumas inclusive, na ação rápida da polícia, não chegaram à fase final do jogo, o desafio 50, que é tirar a própria vida.
“Não estamos nem mesmo conseguindo dimensionar a quantidade. A situação é muito mais séria de que se imagina. A população sequer pode ter noção do que esta acontecendo”, frisa o militar.
O comandante Joel Outo revela que as vítimas têm idade entre 12 a 23 anos e os motivos para participar dos jogos geralmente estão ligados à depressão e problemas familiares. “O que estamos identificando é caso de jovens que sofrem com a ausência dos pais. Não podemos culpar estes jovens por participarem dos jogos. Estamos os vendo destruírem suas vidas enquanto a culpa é nossa, nós pais não temos mais tempo para os nossos filhos. Temos que evitar que esses jovens destruam suas vidas e a estrutura da família”, diz.
Um dos casos mais recentes que estava sendo acompanhado pela polícia desde o início da semana era o de uma jovem da cidade de Santa Terezinha (1.312 quilômetros a Nordeste de Cuiabá). Ela chegou a pedir ajuda da polícia e estava sendo acompanhada. Mas no início da quinta-feira ela se se cortou toda tentando o suicídio e agora está fazendo tratamento médico e psicológico.
Outra suposta vítima também foi detectada em Confresa (1.180 quilômetros de Cuiabá). Uma menina de 15 anos teria cortado o dedo durante uma das missões do jogo. Uma amiga da menor foi quem informou a polícia sobre a participação da mesma. A jovem teria tentando sair do jogo formatou o aparelho, excluiu o grupo, mas era adicionada novamente.
Outro caso em Tapurah (493 quilômetros de Cuiabá), também está sendo investigado. Uma criança teria se mutilado e a suspeita é que a mesma estava participando do jogo. O celular da criança foi apreendido pela polícia para ser periciado. Em outro caso de Vila Rica, a própria mãe entregou o celular da filha à polícia, ao desconfiar que a mesma fizesse parte do jogo. A menor desenhou inclusive uma estrela de Davi na perna com uso de uma lâmina de barbear.
O primeiro caso em Mato Grosso foi o da estudante Maria de Fátima de Oliveira, 16 anos, moradora de Vila Rica. Maria de Fátima foi encontrada morta em uma lagoa da cidade. A mãe confirma que a filha apresentou cortes nos braços meses antes e que deixou cartas com algumas regras do jogo.
O temor de muitos jovens que entram no jogo é que o “curador” do grupo sabe muitas coisas das vidas dos participantes e acaba ameaçando quem se recusa a participar das provas. A Secretaria de Estado de Segurança Pública está montando uma força-tarefa para acompanhar o “Baleia Azul”. Uma célula de inteligência foi criada só para cuidar destes casos, a ideia é identificar vítimas e incitadores.
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Autor: Aline Almeida com Diario de Cuiaba