Quinta-Feira, 23 de Julho de 2026

Pedro Taques e Antônio Joaquim entram em rota de colisão politica




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Depois da tentativa fracassada do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em conseguir junto a Secretaria de Fazenda (Sefaz) dados confidenciais de empresas do agronegócio que operam em exportação de commodities agrícolas e até de acioná-la judicialmente diante de sua recusa, o governador Pedro Taques saiu em defesa do posicionamento de sua equipe, acusou o presidente do TCE, conselheiro Antônio Joaquim, de utilizar aquela instituição para fins eleitoreiros e apontou fatos graves que ali teriam ocorrido. O troco foi quase na mesma moeda. Joaquim exigiu respeito, disse que Taques “precisa ter humildade para entender que não é o dono do Estado”. Mesmo rechaçando o presidente não tocou nas acusações feitas pelo governante.

Na noite da segunda-feira, numa rede social Taques citou que o alerta do TCE expõe o rebaixamento daquela corte de contas vinculada à Assembleia Legislativa. Reforçando seu convencimento o governador citou a denúncia sobre venda de vagas por ex-conselheiros que se aposentaram precocemente. "O TCE, a meu ver, está se permitindo rebaixar mais uma vez. A primeira vez aconteceu quando permitiu as negociatas de venda de vagas, antes veladas e agora reveladas por denúncias que pipocam a todo lado", alfinetou e em tom de desabafo acrescentou que no TCE tem um caso de conselheiro hereditário, numa referência ao conselheiro Campos Neto que assumiu a vaga de seu pai Ary Leite de Campos.

Na mesma postagem Taques falou sobre omissão do TCE ao permitir que o ex-governador Silval Barbosa – preso desde setembro de 2015 acusado de improbidade administrativa - praticasse tantos casos de corrupção “embaixo de suas barbas (do TCE), seja por conivência ou por incompetência”, acrescentando que o TCE esteve presente na Secretaria da Copa do Mundo (Secopa), onde ocupava uma sala para proceder fiscalização em tempo real, e resumiu, “deu no que deu: obras de péssima qualidade, sem prazos, com descontrole total. Sobrou pra gente organizar essa zona”.

Taques foi além criticando a tentativa de Joaquim à sua propalada candidatura ao governo ou ao Senado em 2018, mesmo ocupando função que impede filiação partidária. “Agora (o TCE), se permite servir de trampolim (ou seria poleiro?) eleitoral para o seu presidente, autodeclarado candidato chamar para si holofotes em ações politiqueiras, midiáticas e desprovidas de valor real”.

Na postagem Taques rechaçou o pedido de informações, criticou fatos no TCE que ganharam manchetes e resultaram inclusive no afastamento do conselheiro Sérgio Ricardo por decisão judicial, e criticou a postura de Joaquim, que mesmo na presidência da instituição tem seu nome associado a disputa eleitoral; o governador foi duro ao afirmar “que (Joaquim) quer prospectar CPFs (de diretores de empresas) com que interesse? Avaliando o potencial dos contribuintes para futuras doações de campanha? Muito estranho tudo isso”, resumiu.

Na manhã de ontem Joaquim concedeu coletiva no TCE e tentou amenizar a situação. Na sessão plenária do TCE logo após a reunião com os jornalistas, o presidente também evitou polemizar com Taques. Porém, à tarde, em redes sociais, rebateu o governador, mas nem assim o fez sobre todo o teor da crítica recebida. “Não vejo como necessário refutar ponto a ponto, mas creio que alguns esclarecimentos sejam necessários”, ponderou Joaquim e assim tirou do cenário os temas Campos Neto e Sérgio Ricardo.

Mesmo cauteloso para preservar seus pares, Joaquim ironizou o governador “a meu ver, está gastando munição com alvo errado”, citou enquanto qualificava a postagem do governante de “ataque desproporcional”.

Joaquim lembrou que sempre respeitou Taques e pediu a recíproca. “Tenho orgulho da minha biografia e, como presidente, exijo do senhor governador o mesmo respeito que lhe tributo no desempenho de sua função. Jamais permitirei contaminar a minha gestão na Presidência do com questões político-eleitorais, pois não vou violentar os meus limites morais e éticos. Respeito demais a minha história e a instituição que honrosamente sirvo com determinação”, desabafou. O presidente foi além, “ao se referir ao TCE como um poleiro, o governador agride a todos que nele trabalham. Na ânsia de atingir um, atingiu a instituição Tribunal de Contas...”, lamentou.

Na postagem Joaquim insistiu que quer os dados fiscais das exportadoras. Ele julga que eles são necessários para eventuais auditorias do TCE, que se dispõe a assinar termo de confidencialidade.

 

 


Autor: Eduardo Gomes com Diario de Cuiaba


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